domingo, 22 de novembro de 2015

Sete Motivos Para Evitar o Açúcar (mesmo Mascavo ou Demerara)


Estudar nutrição é difícil. Modelos animais não necessariamente refletem a realidade dos humanos, e é quase impossível controlar com rigor a alimentação de cada dia em um número grande de pessoas - mais complicado ainda se as consequências surgem anos adiante. Não é por acaso que até hoje não sabemos o que seria a “alimentação ideal” (que seguramente varia de indivíduo para indivíduo).

Certos componentes/substâncias, entretanto, merecem uma preocupação maior. É o caso, por exemplo, do sal, associado à elevação da pressão arterial. Ou ainda a frutose, assunto do post de hoje.

Aquilo que comumente chamamos de açúcar (açúcar refinado, mascavo, demerara, do suco de laranja, de uva, de manga, ou presente no sorvete, picolé, doces, chocolates e refrigerantes comuns) é, quimicamente, a sacarose. Trata-se de um dissacarídeo formado a partir da união de duas moléculas menores, a glicose (medida nos exames de glicemia), e a frutose. Vamos nos concentrar nesta última. 




Temos alguns motivos para o receio em relação à frutose:

1É metabolizada quase exclusivamente pelo fígado, enquanto a glicose é consumida em grandes quantidade por músculos, cérebro e tecido adiposo/gorduroso;

2-  Serve como substrato para a produção de gorduras, e leva à síntese e acúmulo de triglicérides no fígado;

3- Leva a modificações não enzimáticas de proteínas e à formação de radicais livres, promovendo disfunção celular;


5-  Estudo de fluxo cerebral mostra que, ao contrário de quantidades equivalentes de glicose, a frutose não é capaz de reduzir a atividade de áreas relacionadas ao apetite;




O sétimo, para acrescentar evidências à impressão de que a frutose seria pior do que a glicose, são os dados de um novo estudo que será publicado (por enquanto, apenas versão online) no periódico Obesity. Conduzida em São Francisco (EUA), a pesquisa avaliou a resposta de crianças e adolescentes obesas à troca isocalórica de alimentos ricos em frutose/sacarose por outros à base de amido/glicose (mesmo que fossem cachorro-quente, batata chips, pipoca ou pizza).

O acompanhamento foi breve, de apenas dez dias. Mesmo orientando aqueles que perdiam peso a aumentar a ingestão alimentar, para evitar superestimativas do real impacto da frutose, observou-se que a maioria das crianças simplesmente não conseguia dar conta de toda a comida, e, em média, emagreceram 1 kg.

O mais surpreendente, entretanto, foi a melhora metabólica completamente desproporcional ao emagrecimento. Em média, redução pela metade da insulina de jejum (um marcador de risco cardiovascular e diabetes), queda de 46% nos níveis de triglicérides, além de reduções nas enzimas do fígado, no LDL (colesterol ruim) e da área sob a  curva da glicemia. A pressão diastólica caiu quase 5 mmHg, enquanto houve discreta elevação do ácido úrico.


Longe de ser prova definitiva (a intervenção não foi controlada e durou poucos dias), o estudo reforça o nosso medo diante do consumo de sacarose/frutose, e mais uma vez põe em xeque a conduta frequentemente observada de recomendar bebidas adoçadas com açúcar mascavo/demerara em lugar das versões diet/zero. Por mais que existam dúvidas em relação aos adoçantes, as consequências do consumo de frutose parecem ser prejudiciais o suficiente para restringir o seu uso.