sábado, 5 de julho de 2014

Tratando Diabetes com Ajuda das Bactérias

O nosso tubo digestivo é morada de trilhões de bactérias e fungos. Nos últimos anos nosso (parco) conhecimento sobre a relação entre esses "hóspedes", alimentação e doenças tem crescido de forma consistente. Aterosclerose, infecções, auto-imunidade, obesidade e diabetes fazem parte de uma longa lista de complicações que envolvem de algum modo nossa relação com a microbiota intestinal.

Interferir nestes microrganismos não é tão fácil quanto parece (quem dera bastasse apenas prescrever Yakult). Genética, alimentação, medicações e ambiente influenciam o padrão da população de bactérias que determinada pessoa terá no intestino. Também não está claro qual seria exatamente o perfil ótimo de microbiota para cada um. 

Jusatemente por estarmos em um estágio tão primário que devemos comemorar os resultados de um estudo pequeno, porém bastante promissor, divulgado em Chicago (ICE/Endo Society) há duas semanas. Pesquisadores da empresa MicroBiome Therapeutics administraram um modulador das bactérias intestinais, chamado provisoriamente de NM504, para 28 diabéticos tipo 2. 

O NM504, apesar do nome meio "cyborg", é composto de ingredientes extraídos de vegetais: inulina (do agave), beta-glucano (da aveia) e compostos fenólicos antioxidantes (blueberry/mirtilo). Na pesquisa, foi administrado em duas refeições por dia. 

Os resultados, mesmo com poucos participantes, foram positivos. Glicemia menor na curva glicêmica, maior sensibilidade à insulina, redução no apetite e no colesterol, diminuição de marcadores de inflamação e maior nível de anticorpos nas fezes. Tudo isso após apenas quatro semanas!

Embora tenha sido bem tolerado, o tratamento se associou à maior ocorrência de gases intestinais. Quem venham outros ensaios e em breve possamos começar a contar com a ajuda destes "micro-inquilinos" para tratar o diabetes.