domingo, 29 de junho de 2014

Estudo SCALE: Victoza ganha evidência no tratamento da obesidade



Já faz algum tempo que escrevi sobre o avanço representado pelo Victoza (liraglutida) no tratamento do diabetes e da obesidade (links aqui e aqui). Hoje trago os dados de uma nova e importante pesquisa avaliando a medicação em indivíduos obesos que não eram diabéticos.

Trata-se do estudo SCALE Obesity and Pre-Diabetes (Clinicaltrials.gov ID: NCT01272219), que faz parte do programa de ensaios clínicos SCALE (abrangendo mais de 5 mil pacientes obesos). Divulgado no Congresso Internacional de Endocrinologia (ICE) dia 21/06/14, traz resultados que acumulam mais evidências para o uso de Victoza para emagrecer.

Com um n expressivo (3731 pacientes), dois terços dos participantes receberam a medicação em doses progressivas até 3mg. Mais de 2 mil eram pré-diabéticos, e em 70% destes a glicemia retornou ao normal enquanto usavam Victoza. Ao fim de 56 semanas, o emagrecimento médio foi de 8% do peso total (cerca de 9kg) naqueles que usavam liraglutida contra apenas 2,6% nos que usaram placebo.

Foram observadas ainda discretas melhoras no colesterol e triglicérides e minúscula redução da pressão arterial (-2,8mmHg de PA sistólica). A frequência cardíaca foi minimamente superior nos que receberam o princípio ativo: 2.4 bpm a mais que o placebo. Eventos cardiovasculares foram semelhantes entre os grupos (8,7% lira vs 9,9% placebo).

Embora o estudo não tenha sido desenhado para avaliar a eficácia cardiovascular, os resultados de marcadores de risco foram notavelmente favoráveis naqueles que usaram a medicação: -30% hsPCR, -21% PAI-1 e + 8% de adiponectina.

Cerca de 10% dos pacientes foram obrigados a suspender o Victoza em virtude sobretudo de desconforto gastrointestinal (detalhe curioso: 3,8% dos pacientes usando placebo suspenderam a "medicação" por "intolerância"). O risco de complicações relacionadas à vesícula biliar (frequentes quer seja no emagrecimento com remédios, cirurgia ou dieta) foi maior no grupo liraglutida: 3,1% vs 1,4%. Talvez esta seja a explicação para uma maior incidência de pancreatite: 0,3% vs 0,1%.

O estudo será estendido por 2 anos para aqueles pacientes com pré-diabetes. Aguardamos a publicação para avaliar melhor a relação entre os efeitos colaterais biliares e pancreatite, bem como a variabilidade da resposta ao Victoza. Dia 11 de setembro está agendada uma reunião do Advisory Committee do FDA para discutir a aprovação da medicação na dose de até 3mg para indivíduos obesos independente de serem diabéticos ou com IMC acima de 27 kg/m2 com comorbidades.