quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Novo Tratamento para Emagrecer Pode Sair da Erva-Cidreira

Erva-cidreira? Isso é Medicina ou coisa de pajé? Acreditem, há um remédio em desenvolvimento, extraído da erva-cidreira (Melissa officinalis) que promete ajudar bastante a perder peso.

Antes de qualquer coisa, precisamos reconhecer as limitações dos tratamentos atuais para emagrecimento. Tanto as medicações do mercado nacional (sibutramina, orlistate, liraglutida) quanto as do estrangeiro (Belviq®, Qsymia®) apresentam eficácia no máximo moderada. Os efeitos colaterais são relativamente frequentes e as dúvidas, muitas.

Diante de uma pandemia de obesidade, não faltam pesquisadores, laboratórios e empresas correndo atrás de uma solução ou pelo menos uma nova arma nesta sofrida luta para perder peso. Eventuais sucessos trariam a realização acadêmica e financeira dos vencedores.

Um destes grupos é da Coréia do Sul e oferece como candidata uma substância extraída da erva-cidreira. A molécula, de nome ainda técnico (ALS-L-1023), tem como princípio inibir a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese).

Reduz a formação de novos vasos e leva à perda de peso? Como assim? Pois é, sabe-se desde a década de 90 que a formação de tecido gorduroso precisa ser precedida por vias circulatórias novas. Além disso, o tecido adiposo é vascularizado e depende da angiogênese para crescimento subsequente.

Em 2004 já havia sido publicada uma pesquisa com outro composto anti-angiogênico (o TNP-470) prevenindo o ganho de peso em camundongos. O mesmo resultado foi alcançado pelo ALS-L-1023, o que conduziu ao primeiro estudo em humanos.

Após 12 semanas recebendo a substância, houve redução de 15% da gordura visceral, aumento da adiponectina (hormônio derivado do tecido adiposo e associado à redução de risco cardiovascular) e redução dos ácidos graxos livres na circulação. Está em andamento um ensaio clínico de fase 3, com estimativa de recrutar 400 participantes, controlado por placebo e duplo-cego (identificador: NCT01872182), previsto para acabar em 2015.  


A empresa que desenvolveu a medicação (Angiolab) só trabalha com inibidores de angiogênese, o que inspira certa ressalva (afinal, "para quem só tem martelo, tudo que se vê é prego"). Cabe também a dúvida quanto ao potencial risco vascular de uma substância que inibe a formação de novos vasos. De qualquer modo fica a esperança de que os resultados sejam positivos e aquela plantinha simples traga um segredo revolucionário para emagrecer.