quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Uva e Vinho Tinto: Mais Benefícios


Três dias antes da noite de réveillon, a revista médica sobre diabetes de maior prestígio (Diabetes Care) publicou mais um estudo que trouxe à tona a discussão sobre uva, vinho e antioxidantes. Pesquisadores franceses (OK, vamos dar um desconto já que a França é vice-campeã mundial na produção de vinhos) avaliaram 38 parentes de diabéticos tipo 2, todos com sobrepeso ou obesidade. 

Metade do grupo recebeu suplementação com polifenóis derivados da uva, enquanto a outra metade recebeu placebo (cápsulas sem qualquer princípio ativo). Após 8 semanas de tratamento, foram avaliados e então todos iniciaram uma nova fase: seis dias de dieta rica em frutose e daí uma reavaliação. 

A frutose é um carboidrato simples, obtido sobretudo da sacarose (açúcar comum). Seus efeitos prejudiciais são bem conhecidos: associada ao diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares. Como era de se esperar, aqueles que receberam placebo junto com uma alimentação "açucarada" demonstraram maior resistência à insulina no fígado, menor capacidade de estocar glicose injetada na veia, maior formação de radicais livres e menor respiração mitocondrial. O grupo dos polifenóis da uva, entretanto, ficou protegido de todos os efeitos deletérios da frutose. 

Não é o primeiro estudo sugerindo benefícios com o uso de derivados da uva. Há mais de 500 anos se relatam associações do seu consumo com maior longevidade, sobretudo quando parte do que se chama de "dieta mediterrânea" (baixo consumo de carne e gordura saturada, maior percentual de óleos vegetais, peixes e vinho tinto).

Só recentemente os mecanismos por trás desta aparente proteção começam a ser esmiuçados, esclarecendo principalmente as ações antioxidantes dos polifenóis (resveratrol e catequinas, dentre outros). Alguns estudos sugerem ação protetora até contra o câncer de pele. 

Antes que os cachaceiros se empolguem e os abstêmios se ofendam, vale lembrar que a polpa da uva é a parte com menor concentração de substâncias protetoras. Estas são obtidas em maior quantidade da pele da uva, sementes e folhas. Embora as uvas escuras tenham maior quantidade de polifenóis, o consumo de outros produtos que não o vinho (suco, pó e sobretudo a própria fruta, que traz consigo fibras) aparentemente trazem o mesmo benefício.