quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Variante de Gene Dobra Risco de Obesidade na Infância



Há muitas décadas sabe-se que a obesidade tem um fundo genético, mas parece ser difícil transmitir esse conhecimento para muitos pacientes e inclusive alguns médicos. Certas pessoas parecem nascer com mutações que podem conferir maior apetite, saciedade limitada, maior facilidade de estocar gordura ou desequilíbrios hormonais. 

Estes defeitos genéticos permaneceram imperceptíveis durante milênios em que a humanidade frequentemente sofria com a escassez de alimentos, resultado de guerras, secas ou migrações. Na realidade, estocar uma gordurinha nos momentos de abundância talvez fosse até uma vantagem adaptativa, salvando da fome nos períodos de vacas magras (ou vaca nenhuma). 

Estudos com gêmeos univitelinos separados ao nascimento estimam que entre 50 e 75% do peso de um adulto seriam determinados pela genética. Um percentual alto, mas cujos detalhes ainda precisam ser desvendados. Raros são os casos em que apenas um gene está mutado, levando à obesidade. 

Neste contexto, um artigo publicado no International Journal of Obesity este ano merece menção. Um grupo espanhol analisou em 534 crianças (292 obesas) as variações de um gene, o HSD11B1. Este gene produz uma enzima que é responsável pela conversão da cortisona em cortisol, tendo importância no local em que esta transformação ocorre e influenciando a síntese de gordura visceral. 

Uma das variantes encontradas nas crianças se associou com o dobro do risco de obesidade. As crianças com o alelo suspeito pesavam em média 5kg a mais, tinham IMC 2,4 kg/m2 maior e circunferência abdominal aumentada. 

A pesquisa ainda precisa ser replicada em outras populações, mas, além de estender nosso conhecimento sobre as causas da obesidade, pode abrir possibilidades de tratamento no futuro. Com o custo de sequenciamento do genoma caindo ano a ano, em breve esta informação poderá estar ao alcance de médicos e pacientes fora de ambientes de pesquisa.