sábado, 21 de julho de 2012

Uma Nova Era para o Diabetes: Inibidores de SGLT2


Controlar o diabetes nem sempre é fácil. Poucos conseguem perder peso ou se engajar em um programa regular de exercícios físicos. O arsenal terapêutico tem potência limitada: muitos pacientes precisam de duas ou mais medicações (às vezes, quatro), sofrem com hipoglicemias, diarreias, ganho de peso secundários aos remédios.

A maior parte dos pacientes vê seu tratamento se tornar mais difícil com o decorrer dos anos. A explicação reside na lenta, mas progressiva, morte das células que produzem insulina (células-beta) nestes indivíduos. Esta morte é acelerada se a glicose permanece elevada, descontrolada no organismo. Ao cabo de alguns anos, o diabético tem uma razoável chance de estar usando insulina, sofrendo com hipoglicemias e vítima de complicações. 

Os últimos cinco anos foram de grandes avanços na Diabetologia. Surgiram drogas que não provocam (ou mesmo reduzem) hipoglicemias e preservam as células-beta. A liraglutida e a exenatida, além disso,ainda promovem perda de peso.  

A fera chamada diabetes ainda segue, entretanto, longe de ser domada. Muitos remédios perdem a eficácia com o evoluir da doença, à proporção em que o pâncreas produz quantidades cada vez menores de insulina. 

Neste contexto, recebe-se com enorme entusiasmo a última novidade para o diabetes: os inibidores de SGLT2. São várias moléculas de diferentes fabricantes (canagliflozina e dapagliflozina as primeiras), todas na forma de comprimido, baseadas no mesmo princípio: inibir a reabsorção de glicose depois que o sangue é filtrado nos rins.  

Estas drogas são capazes funcionar desde que a pessoa não tenha insuficiência renal. Em tese, poderia dar certo para diabéticos com doença de longa evolução, usuários de insulina ou até diabéticos tipo 1. A eliminação diária que chega a ultrapassar 50g de glicose facilita o emagrecimento (cerca de 3% do peso corporal nos estudos), melhora a pressão e até o colesterol HDL. Detalhe importante: sem provocar hipoglicemias. 

Nem tudo são flores. Os usuários do medicamento urinam com maior frequência, o que pode predispor à desidratação. O excesso de glicose na urina aumenta a incidência de candidíase, sobretudo em mulheres. O colesterol ruim (LDL) pode subir. Nos primeiros estudos, observou-se uma incidência aumentada de câncer de mama entre os usuários de dapagliflozina. Os fabricantes juram que tal achado se deveu apenas ao acaso, e que novos estudos absolverão a droga. De fato não se observou maior incidência de tumores quando outros fármacos da classe foram testadas. 

Na prática, são medicações que parecem ser muito seguras e bem potentes. Um estudo comparou a sitagliptina (Januvia®) com a canagliflozina, apontando maior eficácia à nova molécula. 

A natureza ainda deu uma mãozinha ao homem para avaliar a segurança destes remédios: há muitos anos já se sabe que algumas pessoas nascem com o SGLT2 (que transporta glicose nos rins) defeituoso. Estas pessoas chegam a eliminar até 120g de glicose na urina todos os dias, porém com expectativa de vida normal e sem prejuízo à função renal.

Que sejam bem-vindos os inibidores de SGLT2. Que mudem a vida de muitos diabéticos, salvando pés, olhos, corações e sorrisos de muitas famílias.