quinta-feira, 21 de julho de 2011

Zonisamida - Mais uma Opção para Emagrecer



A zonisamida foi lançada como um anticonvulsivante, embora seja usada no tratamento da dor crônica, prevenção de enxaqueca e como estabilizador de humor. É vendida nos EUA, Ásia e Europa há mais de 10 anos. Sua ação sobre a epilepsia parece ser explicada pela atuação em canais celulares de sódio e cálcio.


A Orexigen (mesmo laboratório do Contrave®) patenteou a associação de bupropiona com zonisamida (sob o nome de Empatic®), ambos de liberação prolongada. Alguns estudos especulam ação da zonisamida sobre o paladar, o que reduziria o apetite.



Um artigo publicado no JAMA em 2003 mostrou que a zonisamida isolada levou à perda de 9,4% do peso total (contra 1,8% do placebo), com boa tolerância. A associação de bupropiona com zonisamida promoveu redução de até 7,5% do peso total e foi superior ao uso de qualquer das duas drogas isoladamente.



A combinação zonisamida com bupropiona seria uma alternativa interessante para aqueles pacientes intolerantes à sibutramina ou que apresentem contra-indicações à medicação. Fica a expectativa quanto à confirmação de segurança e eficácia desta nova opção para perder peso.

sábado, 9 de julho de 2011

Gastrina: opção "caseira" para o diabetes?


Será que santo de casa não faz milagre? A gastrina é um hormônio velho conhecido (cai até no vestibular), estimulador da produção de ácido no estômago. Seus níveis sobem quando nos alimentamos ou em resposta ao uso de medicações que reduzem a acidez gástrica (ex: omeprazol).

Um hormônio mais importante para a Gastroenterologia do que para a Diabetologia, a princípio. Ao menos até 2005, quando estudos começaram a demonstrar a capacidade da gastrina de regenerar as células produtoras de insulina no pâncreas (células-beta). Depois disso, trabalhos em animais mostraram redução da glicemia quando administrado lansoprazol (que eleva a gastrina).

E não é que este veterano brilhou em um artigo publicado no Endocrinology de Maio deste ano? Os autores aplicaram gastrina em ratos submetidos à ressecção prévia de 95% do pâncreas e observaram efeitos entusiasmantes.

Além da redução da glicemia (de 436 para 280 mg/dL), comprovou-se aumento da replicação e menor degradação das células-beta. A empolgação deve ser contida diante do conhecimento de que as células-beta de ratos têm mais facilidade para se reproduzir do que as humanas. Ainda assim, fica a esperança de que este "santo de casa" ajude na cura do diabetes.

NMU: mais um para fechar o cerco contra a obesidade


Enquanto algumas "autoridades" seguem fazendo previsões absurdas, sugerindo que "daqui a x anos 90% da população será obesa", eu acredito que a obesidade está com os dias contados. Os avanços da farmacologia e da engenharia de alimentos provavelmente farão dos atuais casos meras curiosidades histórias (como o escorbuto já é hoje).

Eu vos apresento um novo alvo potencial para auxílio na perda de peso: a neuromedina U (NMU). A edição de maio do periódico Endocrinology traz um estudo sobre a administração em animais desta substância.

Artigos prévios já demonstraram que camundongos com deficiência de NMU desenvolvem obesidade, enquanto aqueles que hiperexpressam a substância são magros e hipofágicos (comem pouco). Também já se sabia que a administração da substância no sistema nervoso central reduz o apetite e aumenta o gasto calórico, levando à perda de peso.

O passo seguinte foi testar se a injeção periférica teria o mesmo efeito. Os autores demostraram redução do apetite, aumento do metabolismo (e da temperatura) e perda de peso nos animais testados. A glicemia também melhorou.

Não se trata do ovo de Colombo. O aumento de temperatura preocupa, afinal na década de 30 o dinitrofenol (DNP) surgiu como solução para aumentar o metabolismo e resolver a obesidade. O resultado, já descrito aqui no blog, foram muitas mortes por hipertermia e colapso cardiovascular.

O empolgante é ver que a ciência está cercando a obesidade em múltiplas frentes. Inúmeros mecanismos diferentes são testados e muitos tratamentos potenciais deverão chegar ao mercado nos próximos anos. Bem-vinda ao time, NMU!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ferro e Diabetes


O ferro desfruta do status de um dos maiores fetiches nutricionais. Se determinado alimento é rico em ferro, logo ganha a reputação de “muito saudável.” Muita gente, quando se sente fatigada, pede por suplementos de ferro.

Anemia por deficiência de ferro existe, de fato. Só que talvez seja menos comum do que se imagine, e mais concentrada na população pediátrica, mulheres em idade fértil ou após cirurgia bariátrica.

Há décadas se sabe que a hemocromatose, doença genética caracterizada por acúmulo exagerado de ferro no organismo, aumenta o risco de diabetes. Nestes pacientes, ocasionalmente as sangrias melhoram ou até normalizam as glicemias.

Nesta edição (Julho 2011) do Diabetes Care, dois artigos ligam o consumo de ferro heme (derivado da carne vermelha) ao risco de desenvolver diabetes na gestação. As faixas mais elevadas de consumo se associam a uma chance 3 vezes maior de ter açúcar alto na gravidez (e todas as suas perigosas conseqüências).

Ferro em excesso induz radicais livres, que podem aumentar a resistência à insulina ao mesmo tempo em que reduzem a sua produção no pâncreas. Inúmeros passos do metabolismo da glicose envolvem o ferro.

A análise dos estoques de ferro nos diabéticos é complicada. A ferritina, tradicional medida das reservas corporais deste metal, encontra-se elevada durante quadros inflamatórios leves (ex: aquele induzido pela obesidade) ou graves (como nas freqüentes infecções associadas ao diabetes). Mais complexo ainda é o conceito de que, mesmo com estoques totais normais, o indivíduo pode ter aumento do “ferro catalítico”, que simplificadamente corresponde à porção deste elemento capaz de gerar radicais livres.

Há estudos em animais demonstrando melhora na glicemia reduzindo a quantidade de ferro através de dieta , sangrias ou quelantes (substâncias removedoras). Estes resultados foram obtidos sem desencadear deficiência de ferro.

De prático, fica a recomendação de evitar excessos de carne vermelha (por inúmeros outros motivos também) e suplementos desnecessários. Quem sabe daqui a alguns anos quelantes de ferro ou as medievais sangrias possam melhorar a vida dos diabéticos.

Insulinas e Ganho de Peso


A insulina é essencial para o tratamento do diabetes tipo 1, sendo muitas vezes necessária também no tipo 2. Um de seus efeitos colaterais é o ganho de peso. Este é um dos motivos do medo de insulina apresentado por muitos pacientes.

Quanto mais apurado o controle da glicemia (e maior a dose de insulina), maior o ganho de peso. Estudos de tratamento intensivo do diabetes com insulina demonstram ganho de cerca de 5kg em um ano. Alguns pacientes, sobretudo as mulheres mais jovens, deliberadamente reduzem ou omitem doses de insulina para tentar contornar este efeito colateral. O resultado já se sabe: maior incidência de complicações.

Nem todas as insulinas são iguais neste aspecto. A insulina detemir, em numerosos estudos, mostrou menor ganho de peso quando comparada à NPH ou à glargina. Ainda não se sabem em detalhes as causas desta diferença.

Na edição de julho do Diabetes Care, um estudo inglês com 23 pacientes portadores de diabetes tipo 1 demonstrou menor ganho de peso com insulina detemir (-2,4kg após 16 semanas, quando comparada à NPH). O controle glicêmico não diferiu entre os grupos. O estudo demonstrou menor ingestão calórica (cerca de 160 kcal a menos por dia) sob uso de detemir.

Há quem sugira que o efeito diferenciado da insulina detemir se deva à ação mais seletiva no fígado, reduzindo a síntese de gordura periférica, ou por efeitos sobre o metabolismo basal. O mesmo estudo mostrou elevação do polipeptídeo pancreático, um hormônio intestinal que reduz o apetite.

Diante da enorme prevalência de obesidade entre os diabéticos, os resultados são importantes. Perda média de 2,4kg é significativa e deve ser levada em consideração no tratamento do diabetes.