domingo, 8 de maio de 2011

Anticoncepcionais Derivados da Progesterona: Há Risco para o Coração?


Infarto é algo muito raro em mulheres jovens. Dos 30 aos 34 anos, a probabilidade de uma mulher sofrer um ataque cardíaco é de apenas uma em 500 mil a cada ano. Entre os 40 e 44 anos, o risco passa a uma para cada 50mil.

Sabendo-se que hormônios femininos influenciam colesterol, triglicérides e fatores de coagulação, sempre existiu o receio de que anticoncepcionais aumentassem o risco de doenças cardiovasculares. Os estudos são controversos e alguns sugerem que os anticoncepcionais combinados (estrógeno + progestágeno) possam aumentar a chance de infarto, sobretudo nas fumantes.

Uma meta-análise (artigo que compila dados de muitos estudos, aumentando o poder estatístico) publicada em abril no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism avaliou o risco de infarto associado ao uso de anticoncepcionais contendo apenas progestágenos. Reunindo informações de seis ensaios, concluiu que as pílulas derivadas de progesterona nem previnem nem aumentam a ocorrência de doença cardíaca.

A discussão feita pelos autores é muito interessante, salientando o menor efeito sobre fatores de coagulação por parte dos progestágenos, além de baixa (talvez sem importância clínica) repercussão sobre pressão arterial e lípides. Fazem a ressalva, todavia, da piora da sensibilidade à insulina após iniciar as medicações.

Ainda vejo entre colegas e pacientes muito medo de anticoncepcionais; às vezes se esquecem do quanto repercute na vida de alguém uma gestação na hora errada. O resultado deste estudo é favorável e tranqüilizador para quem os prescreve e para quem usa.

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