sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GH - herói ou vilão?


Inúmeras pesquisas mostram que a deficiência de hormônio do crescimento (GH) está associada à obesidade abdominal. Muitos estudos mostram redução da gordura abdominal com a reposição do hormônio. Sabe-se, por outro lado, que na acromegalia (rara doença em que há níveis exagerados de GH) ocorre aumento da incidência de hipertensão, infarto e derrame.

Para ajudar a esclarecer (ou confundir ainda mais) o tema, foi publicado no periódico Science Translational Medicine (do grupo de revistas Science) um artigo que relata o acompanhamento de uma comunidade andina por 22 anos.

Nesta população, há uma frequência desproporcional de deficiência de GH (na realidade, eles possuem GH, mas o corpo não consegue obter seus efeitos). Por motivos geográficos, a mobilidade é baixa, de modo que os deslocamentos dos indivíduos são incomuns.

Entre os 100 indivíduos insensíveis ao GH (com baixa estatura), não houve sequer um caso de diabetes; diagnosticou-se apenas um câncer, não-fatal. Quando avaliados 1600 parentes que viviam no mesmo local, mas com funcionamento normal do GH, a incidência de diabetes foi de 5%; a de câncer, 17%. A ocorrência de derrames foi tão rara que não permitiu análise estatística.

O estudo mais abre hipóteses do que traz conclusões. Os autores elocubram que drogas bloqueadoras do GH poderiam, no futuro, trazer impacto semelhante aos redutores de colesterol.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ANVISA Ameaça Proibir Tratamento da Obesidade


A organização chamada ANVISA não tem limites. Com a truculência governamental de praxe, apresenta à sociedade a medida "benéfica" e "protetora" de PROIBIR o tratamento da obesidade.

A notícia não pode ser amenizada. Dizer que sobra o Xenical (mais de 200 reais por mês, com resultados muito limitados em perda de peso) é patético. Quantos casos de sobrepeso se transformarão em obesidade? Quantos pré-diabéticos se tornarão diabéticos, com custos financeiros, de saúde e emocionais? Quanto aumentará a depressão feminina, a insatisfação com o próprio corpo, a insegurança?

Proibir um indivíduo de decidir qual substância ele quer ingerir é IMORAL. A cada dia que passa o Brasil se aproxima de um cenário do livro 1984, de George Orwell. Se a ANVISA se julga autoridade máxima em todas as áreas da Medicina, que sugira que não se usem os medicamentos. Quem confiar na sua enorme sapiência e benevolência o fará. Só não condenem milhões de brasileiros à infelicidade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

SBD preocupada com Glibenclamida

Há alguns meses, este blog alertou sobre os riscos da glibenclamida para diabéticos. Um post que deveria ter sido escrito muitos meses antes (talvez anos se o blog já tivesse nascido).

A SBD, um pouco atrasada, demonstrou num comunicado oficial sua preocupação com os riscos associados ao uso da medicação. Foi nomeado um grupo técnico para analisar "quais as posições mais adequadas", seja lá o que isso perigosamente possa significar.

Torço para que, embora com alternativas claramente superiores, não venham com sugestão de subitamente proibir o remédio (consumido aos milhões), correndo o risco de prejudicar mais do que ajudar os diabéticos do país. Já bastam as trapalhadas da ANVISA.

Diretrizes Americanas de Nutrição


Aí vai o link para as novas diretrizes americanas de nutrição, voltadas para o público geral:

http://www.health.gov/dietaryguidelines/dga2010/DietaryGuidelines2010.pdf

Reforça recomendações importantes, embora não traga grandes novidades. Nunca é demais lembrar que a populacão como um todo precisa reduzir o consumo de sal (notadamente através do consumo de industrializados), gorduras saturadas ou trans, açúcar e cereais refinados.

O material enfatiza escolhas saudáveis, como frutas, verduras e legumes (compondo metade do prato), cereais integrais, carnes magras, laticínios desnatados e gorduras insaturadas.

Peca pela ingenuidade ao dizer que cada indivíduo consegue controlar o quanto come e o quanto gasta. Ignora o imenso papel dos genes na regulação do apetite, na aptidão e volição em relação ao exercício físico.

Que fique claro, por outro lado, que a genética não é justificativa para escolhas inconsequentes na alimentação.