sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Proteínas e Baixo Índice Glicêmico Ajudam Manutenção do Peso


Estudo publicado ontem no NEJM (New England Journal of Medicine), uma das mais prestigiadas revistas médicas, sugere que a proporção de macronutrientes pode interferir na manutenção do peso após o emagrecimento inicial.

Foram acompanhados mais de 500 pacientes em oito diferentes países da Europa. Após perda inicial de pelo menos 8% do peso corporal, foram alocados aleatoriamente para dietas com maior ou menor proporção de proteínas e maior ou menor índice glicêmico. Ao fim de 6 meses de seguimento, aqueles que seguiam dieta com maior teor protéico pesavam cerca de 1kg a menos do que os que tinham alimentação com menor quantidade de proteínas.

Resultado semelhante foi encontrado para aqueles que seguiam dieta com baixo índice glicêmico, que também colaborou para a manutenção da perda de peso. O índice glicêmico mede a velocidade com que os carboidratos dos alimentos são absorvidos e passam para a corrente sanguínea.

Opções de baixo índice glicêmico: lentilhas, leite desnatado, maçã, iogurte sem adição de açúcar.

Alimentos com elevado índice glicêmico: batata cozida ou frita, corn flakes, tapioca.

domingo, 14 de novembro de 2010

Dia Mundial do Diabetes


Dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. Não se sabe o número exato de diabéticos no Brasil; talvez mais de 10 milhões de pessoas sejam afetadas. Pelo menos metade nem sabe que é portadora da doença.

Hoje dezenas de monumentos ao redor do mundo ficam azuis para chamar atenção ao tema. O Cristo Redentor é um deles.

A perda de 7% do peso somada a 150 minutos de exercício por semana reduzem em mais de 50% a incidência de diabetes. O tratamento do diabetes hoje é muito diferente de 15 anos atrás; há mais classes de medicamentos, insulinas mais modernas, controle mais fácil e barato do colesterol e da hipertensão. Cirurgias de estômago e intestino curam muitos casos da doença. As bombas de insulina evoluem para o desenvolvimento de um verdadeiro pâncreas artificial no futuro.

Que a mensagem deste dia permita que muitos consigam aproveitar os avanços que estão por vir.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Garcinia Cambogia Emagrece?


Todo endocrinologista atende de vez em quando algum paciente que traz a receita de uma fórmula com Garcinia cambogia. Amplamente utilizada como condimento na Índia, tem como mais importante princípio ativo o ácido hidroxicítrico (HCA, abreviado do inglês), predominante na casca de seu fruto.

O HCA é um inibidor potente da citrato liase, de modo que reduz a disponibilidade de acetil-CoA. Com menos acetil-CoA disponível, há redução na lipogênese (síntese de gorduras). À primeira vista, portanto, o HCA seria um ótimo candidato ao tratamento da obesidade.

Um estudo de 2000 com 89 mulheres com sobrepeso acompanhadas por 12 semanas demonstrou uma perda de 1,3kg adicionais no grupo que usou Garcinia, comparada ao placebo. Não houve diferença no apetite, quando avaliado por questionários.

Outro ensaio, de 1998, envolvendo 135 participantes, empregou dose semelhante de Garcinia para indivíduos obesos. Quem tomou pílulas de farinha (placebo) perdeu 0,9kg a mais que o grupo que usou o HCA. O estudo foi criticado por empregar dieta rica em fibras e estabilizante rico em cálcio, que prejudicariam a absorção do princípio ativo.

Embora numerosos estudos animais apontem eficácia para redução de peso, o mesmo ainda não pode ser afirmado para humanos. Há poucos estudos e aqueles que sugerem efeito positivo geralmente avaliam poucos pacientes e apresentam falhas metodológicas.

Animais expostos a doses proporcionalmente 100 vezes maiores que aquelas prescritas para pacientes não mostraram efeitos adversos. O uso da Garcinia na Índia há séculos tranquiliza quanto à segurança da prescrição. Faltam, entretanto, evidências suficientes para que seja aceita como tratamento para perder peso.

Para saber mais sobre o HCA e a Garcinia:


Sobre tratamentos alternativos para obesidade veja aqui, aqui e no link abaixo:

domingo, 7 de novembro de 2010

Glibenclamida e Risco Cardiovascular


Há menos de dois meses, foi retirada do mercado brasileiro a rosiglitazona, medicamento para diabetes. Capaz de elevar o LDL (colesterol ruim), o Avandia (nome comercial) era suspeito de elevar o risco de eventos cardiovasculares (infarto, angina, derrame cerebral) em alguns estudos. Já era pouco prescrito pelos endocrinologistas, e sua proibição não provocou grandes sobressaltos à prática médica.

Há muito tempo alguns endocrinologistas também têm reduzido (alguns eliminado) a prescrição de outro medicamento para diabetes: a glibenclamida (conhecida como glyburide nos EUA). Desenvolvida em 1966 e incluída na lista de medicações essenciais da OMS (o único outro comprimido para diabetes presente na lista é a metformina), esta substância tem despertado enorme preocupação quanto ao potencial de aumentar o risco e a letalidade de doenças cardiovasculares naqueles que o empregam.

Uma recente publicação no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism reafirma este receio com a glibenclamida. Embora o estudo não seja randomizado (os pacientes não foram aleatoriamente alocados para cada medicação), traz dados que preocupam quem prescreve ou usa glibenclamida.

Analisando mais de 1300 pacientes admitidos para cuidados intensivos na França, a mortalidade naqueles que vinham usando a glibenclamida antes da internação foi quase o triplo (7,5% x 2,7%) quando comparada aos que usavam outras drogas da mesma classe (glimepirida ou gliclazida). Esta diferença se manteve quando os dados foram ajustados para fatores que pudessem enviesar o estudo.

Outros estudos clínicos e sobretudo fisiológicos sustentam estes achados. A glibenclamida tem, quando comparada a moléculas similares, maior ação sobre o músculo cardíaco. Um dos seus efeitos sobre o coração consiste em piorar a resposta do miocárdio à escassez de oxigênio, potencialmente estendendo a área do infarto.

Além do risco cardiovascular, a glibenclamida também está associada à hipoglicemia. No UKPDS (um dos mais importantes estudos já realizados em diabetes tipo 2), sua taxa de hipoglicemia foi o dobro da clorpropamida. Curioso que a clorpropamida foi retirada do mercado, dentre outros motivos, pelo risco de hipoglicemias.

A glibenclamida é fornecida pelo SUS e, para muitos, é a única opção para o tratamento do diabetes. Embora seja radicalmente contra qualquer proibição de uso ou comercialização de substâncias, torço para que a difusão desta informação permita um melhor tratamento para os milhões de diabéticos deste país.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Suplementação com ômega-3 não melhora Doença de Alzheimer


A edição de anteontem do JAMA (Journal of American Medical Association) traz os resultados de um estudo multicêntrico americano que avaliou os efeitos de suplementação de ômega-3 para tratamento de doença de Alzheimer.

O ácido graxo empregado foi o DHA (docosahexaenóico), o mais abundante dos ácidos graxos insaturados no cérebro. Investigações epidemiológicas apontavam uma menor incidência de doença de Alzheimer nos indivíduos com maior consumo de DHA. Pesquisas em animais já mostraram que o consumo deste ácido graxo reduzia as lesões microscópicas típicas do Alzheimer.

A dose escolhida foi de 2g por dia durante 18 meses; participaram mais de 400 pacientes com Alzheimer leve a moderado. Quase 300 chegaram ao fim do estudo, permitindo conclusões frustrantes. Não houve diferença em testes neuropsicológicos que avaliam a gravidade da demência nem no volume cerebral aos exames de imagem.

Talvez os ácidos ômega-3 desempenhem um papel mais importante na prevenção do que no tratamento. Há quem diga que tudo não passa de correlação, uma vez que quem consome mais ômega-3 pode ter um estilo de vida mais saudável globalmente. Fica a esperança de que surjam novos tratamentos para uma doença tão importante e devastadora como o Alzheimer.


Para ler mais sobre ômega-3, clique aqui.