sábado, 30 de outubro de 2010

Vitamina D e Cálcio Aumentam Força Muscular em Estudo Indiano


Em artigo publicado na edição de outubro do Clinical Endocrinology, estudou-se o efeito sobre a força muscular da reposição de vitamina D com suplementos de cálcio. Foram avaliados 40 voluntários (número pequeno, é verdade) com idade média de 31 anos na Índia.

Metade dos participantes recebeu sachês e comprimidos de lactose (placebo) e ao fim de seis meses exibia valores de vitamina D ainda abaixo do normal. O grupo que sofreu intervenção elevou a concentração de vitamina D para quase o dobro. Ao fim do estudo, os suplementados tinham 10% a mais de força de preensão palmar e 10% a mais de força na panturrilha (com significância estatística).

Embora os resultados confirmem o que já foi visto em pesquisas prévias, é preciso considerar que os estudos anteriores geralmente se limitavam a avaliar idosos. Ser jovem não é justificativa para negligenciar o status de vitamina D e ingestão de cálcio (para ler mais sobre vitamina D, clique aqui).

Qual o nexo? Qnexa rejeitado pelo FDA


Nos Estados Unidos, existe nas farmácias um remédio para emagrecer chamado fentermina, semelhante à sibutramina ou ao femproporex. Lá também é vendido um medicamento para epilepsia, o topiramato, que leva à redução do peso em algumas pessoas que o usam.

Com ambas substâncias sendo liberadas (e não é proibido prescrever as duas para um mesmo indivíduo), uma indústria resolve juntá-las e estudar a combinação para obesidade. O resultado: a maior perda de peso já conseguida com tratamento clínico. O dobro do obtido com a sibutramina, em média. No país campeão mundial de obesidade, dotado de uma nação de diabéticos e com as finanças arrebentadas pelos custos com doenças cardiovasculares. Um país motivo de piada por ser o mais gordo do mundo.

Motivo de comemoração? Expectativa? Esperança?

Sob a visão do FDA, não. O órgão que regula as vendas de medicamentos vetou a comercialização do Qnexa - nome comercial da referida combinação - nesta quinta-feira, 28 de outubro de 2010. Justifica sua decisão com preocupações em relação a efeitos colaterais que são inferiores aos de muitas drogas existentes nas farmácias.

Até quando permitiremos estes atentados à liberdade individual? Faço questão de "parabenizar" o FDA na próxima pesquisa que mostrar níveis insanos da obesidade americana - a velha notícia de sempre.

P.S.: fica a pergunta aos amigos médicos que leem o blog. Se as seguintes drogas fossem descobertas hoje, será que alguma seria aprovada pelo FDA?

1- Salbutamol 2- Metotrexate 3- Amiodarona 4- Propiltiouracil 5- AAS

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Contrave - Novo Medicamento para Emagrecer


Dando seguimento à série sobre novas drogas para perda de peso (ver mais aqui e aqui), hoje escrevo sobre o Contrave®. Esta medicação consiste na associação de dois princípios ativos: a bupropiona e o naltrexone.

Embora a bupropiona isoladamente já tenha comprovado eficácia em estudos prévios, seu uso na obesidade é restrito pela limitada eficácia. A droga é mais conhecida pelo seu efeito no auxílio para deixar de fumar e como antidepressivo. Atua inibindo a recaptação de dopamina e norepinefrina no cérebro.

A naltrexona é um antagonista do receptor opioide, usado nas dependências ao álcool ou aos opiáceos. Quando usada para emagrecimento, os resultados foram frustrantes.

A associação entre ambos, todavia, faz a naltrexona bloquear mecanismos cerebrais que preservam o apetite mesmo sob a bupropiona. A combinação sinérgica, quando estudada em ratos, reduziu a ingestão de alimentos tanto nos magros quanto nos obesos.

Em humanos, os estudos demonstram perda de 6,6% do peso total em menos de um ano. O efeito colateral mais comum foi a náusea. Não houve diferença importante de pressão arterial, frequencia cardíaca ou depressão (as pedras no sapato da sibutramina e do rimonabanto, respectivamente).

Em breve o Contrave® enfrenta o crivo absolutista do FDA. Desejo (junto com muitos leitores do blog) boa sorte e vida longa à medicação!

domingo, 10 de outubro de 2010

Sibutramina retirada do mercado nos Estados Unidos


Já que o mês é de Halloween, segue a "caça às bruxas". O FDA suspendeu a comercialização da sibutramina nos Estados Unidos, com base nos dados do estudo SCOUT (que mostra aumento do risco de infarto e derrame nos usuários de sibutramina que já possuíam histórico de doença cardiovascular.

A decisão saiu na sexta (8 de outubro) e fica a torcida para que a ANVISA não siga os passos dos gringos. Aguardem novos dados de aumento da obesidade no país caso ocorra a suspensão também no Brasil.