domingo, 11 de julho de 2010

Risco com propiltiouracil

Os dados publicados (com direito a editorial) na edição de julho do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism trazem preocupação em relação ao uso do propiltiouracil (PTU). Droga com mais de 50 anos de uso para tratamento do hipertiroidismo, sem patente nem grandes interesses mercadológicos.

Desde o início de seu uso são relatados raros casos de lesões ao fígado após o início do tratamento. Como o hipertiroidismo não é uma doença tão comum e o próprio excesso de hormônios da tireóide pode alterar os exames laboratoriais hepáticos, nunca ficou claro qual o tamanho do risco com a medicação.

O alarme surgiu com o relato de que o PTU é a terceira medicação mais implicada em casos de insuficiência hepática por drogas que demandam transplante hepático. Um remédio com prescrição muito inferior a centenas de outros!

Pior de tudo: existe o metimazol, uma alternativa também com décadas de mercado, cuja única (e discutível) restrição seria o uso em gestantes. Os autores, em bom baianês, ficam “injuriados” com o fato de o PTU ainda ser usado como primeira escolha em um quinto dos casos nos EUA.

A situação fica pior em crianças. Elas parecem ser mais susceptíveis à hepatite induzida pelo PTU. O risco chegaria a uma em cada duas mil tratadas. De fato não é comum, mas algo tão grave a ponto de ameaçar a vida e demandar um transplante de fígado merece toda a atenção e divulgação.

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