quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nova Medicação para Obesidade

Saiu hoje no New England Journal of Medicine um estudo com resultados positivos para uma nova droga contra a obesidade, a lorcaserina. Após um ano de tratamento, a droga promoveu uma perda média de 5,8kg. O grupo que recebeu placebo (pílulas sem princípio ativo) perdeu em média 2,2kg.

A droga age sobre o receptor 2C da serotonina, ativando neurônios responsáveis pela saciedade. Os efeitos colaterais incluem tonturas, náuseas e dor de cabeça, sem relato de efeitos colaterais graves nos mais de 800 pacientes que usaram o medicamento por mais de um ano.

Trata-se de um importante passo no limitado tratamento farmacológico da obesidade. Que venha o quanto antes para o mercado de modo a confirmar segurança e eficácia na prática.

domingo, 11 de julho de 2010

Risco com propiltiouracil

Os dados publicados (com direito a editorial) na edição de julho do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism trazem preocupação em relação ao uso do propiltiouracil (PTU). Droga com mais de 50 anos de uso para tratamento do hipertiroidismo, sem patente nem grandes interesses mercadológicos.

Desde o início de seu uso são relatados raros casos de lesões ao fígado após o início do tratamento. Como o hipertiroidismo não é uma doença tão comum e o próprio excesso de hormônios da tireóide pode alterar os exames laboratoriais hepáticos, nunca ficou claro qual o tamanho do risco com a medicação.

O alarme surgiu com o relato de que o PTU é a terceira medicação mais implicada em casos de insuficiência hepática por drogas que demandam transplante hepático. Um remédio com prescrição muito inferior a centenas de outros!

Pior de tudo: existe o metimazol, uma alternativa também com décadas de mercado, cuja única (e discutível) restrição seria o uso em gestantes. Os autores, em bom baianês, ficam “injuriados” com o fato de o PTU ainda ser usado como primeira escolha em um quinto dos casos nos EUA.

A situação fica pior em crianças. Elas parecem ser mais susceptíveis à hepatite induzida pelo PTU. O risco chegaria a uma em cada duas mil tratadas. De fato não é comum, mas algo tão grave a ponto de ameaçar a vida e demandar um transplante de fígado merece toda a atenção e divulgação.

sábado, 10 de julho de 2010

Efeitos colaterais da testosterona

A edição desta semana do New England Journal of Medicine publica um estudo sobre efeitos colaterais da testosterona em idosos. O ensaio envolveu mais de 200 homens (quantidade maior que a maioria dos protocolos envolvendo hormônio masculino) americanos, com mais de 65 anos e limitações à mobilidade. A média de idade (74 anos) era elevada, assim como a prevalência de doenças crônicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e obesidade.

Para participar do estudo ainda era necessário que a concentração de testosterona no sangue estivesse no limite inferior da normalidade (valores normais ou graves deficiências excluíam o voluntário). A testosterona era formulada em gel a 1%, uma vez por dia, com dose ajustada conforme a variação nos exames laboratoriais.O estudo começou a recrutar pacientes em setembro de 2005, sendo prematuramente interrompido em dezembro de 2009. O motivo foi uma maior incidência de eventos adversos cardiovasculares no grupo que recebeu testosterona.

Simplesmente mais que o dobro de complicações. Como era de se esperar por conta do gel, também houve maior incidência de efeitos indesejáveis dermatológicos. O tratamento ainda aumentou a viscosidade sanguínea e reduziu tanto o colesterol bom (HDL) quanto o ruim (LDL).
A surpresa (para alguns) ficou por conta de meta-análises prévias que sugeriam neutralidade da testosterona em relação às complicações cardíacas. Os defensores do hormônio têm como contra-argumentar com dados do próprio estudo:

1-Não houve diferença na incidência de hipertensão, apesar do reconhecido efeito retentor de líquido e sódio da testosterona.
2-O grupo que recebeu o gel com hormônio já possuía uma maior quantidade de participantes com hipertensão arterial ou colesterol alto (embora o maior risco continue mesmo feito o devido desconto para esses fatores).
3-A amostra e o tempo de seguimento foram pequenos (embora bem maiores que a média dos estudos sobre o tema).
4-Os voluntários eram de risco muito elevado. De fato, idosos de mais de 70 anos com índice de massa de 30 não correspondem ao grupo que costuma usar este tipo de substância.

O estudo traz uma preocupação a mais em relação ao uso da testosterona. Não há dúvidas que acende uma luz amarela em relação ao tratamento da suposta “andropausa” e agrega dados para uma área tão carente de evidências científicas.