segunda-feira, 31 de maio de 2010

Salsalato e Diabetes

Os primeiros relatos de melhora do diabetes com salicilatos surgiram mais de cem anos atrás. Há cerca de 15 anos, sabendo-se da importância da inflamação nesta doença, foi descoberto que doses altas destas medicações (cujo mais famoso membro é o AAS/aspirina) reduziam a glicemia (açúcar no sangue).
Essa melhora não vinha sem efeitos colaterais. A dose necessária correspondia a 14 aspirinas por dia, levando a considerável risco de úlceras estomacais.
Buscou-se então estudar o salsalato, usado para artrite há anos, barato e com menor efeito sobre o estômago. Em março foi publicado no Annals of Internal Medicine um estudo promissor com pouco mais de 100 pacientes, custeado pelo governo americano sem interferência de companhias farmacêuticas.
Após 14 semanas de uso, houve queda na glicemia, nos triglicérides e no ácido úrico. Só ocorreram hipoglicemias naqueles que usavam também sulfoniluréias (sabidamente causadoras deste efeito colateral).
Além de provocar desconforto abdominal (mas sem sangramento), aumentou o risco de tontura, que ocorreu em 20% dos pacientes. Mais preocupante ainda foi o aumento da eliminação de albumina na urina, um reconhecido marcador de risco de evolução para insuficiência renal e doenças cardiovasculares.
O estudo é promissor. Ponto. Não justifica a precipitação de começar a prescrever 7 comprimidos da droga por dia (sim, a dose foi alta) para tratar diabetes tipo 2. Os possíveis efeitos renais preocupam. Fica a torcida para que surjam estudos maiores demonstrando segurança para uso.

2 comentários:

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  2. Sobre Salsalato e Alzheimer;
    Anti-inflamatório pode tratar sintomas do Alzheimer:(Fonte: http://www.correiodoestado.com.br/ciencia-e-saude/antiinflamatorio-pode-tratar-sintomas-do-alzheimer/258457/
    "O salsalato, um remédio anti-inflamatório indicado para o tratamento da dor leve ou moderada, especialmente a artrites reumatoide, poderia servir para tratar os sintomas da demência ou do Alzheimer, segundo publicou nesta segunda-feira a revista "Nature Medicine".

    Uma equipe do centro americano Gladstones Institutes, liderada por Li Gan, descobriu que o remédio "reverte a disfunção relacionada com a proteína tau (que se associa a essas duas doenças) em um modelo animal de demência frontotemporal".

    Em seu experimento com ratos, os cientistas descobriram que o salsalato "preveniu o acúmulo de tau no cérebro e protegeu contra incapacidades cognitivas parecidas às que se apreciam no caso do mal de Alzheimer e na demência frontotemporal".

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    Segundo explicam na revista, o salsalato inibe a acetilação da proteína tau, um processo que a torna mais tóxica e que induz os processos neurodegenerativos e os déficits cognitivos.

    A administração do fármaco rebaixou os níveis de tau no cérebro dos ratos, "recuperando os danos à memória e protegendo contra a atrofia do hipocampo".

    "Pela primeira vez, identificamos um enfoque farmacológico que reverte todos os aspectos da toxicidade de tau", assegurou Gan.

    "Os efeitos protetores do salsalato se produziram apesar de ter sido administrado quando a doença já tinha aparecido, o que indica que poderia ser uma opção eficaz de tratamento", disse Gan.

    Embora a comunidade científica pesquise há muito tempo o papel da proteína tau na demência, ainda se sabe pouco do processo pelo qual se acumula no cérebro, causando a toxicidade que leva à doença.

    "Tratar a acetilação de tau poderia ser uma nova estratégia terapêutica contra as patologias tau dos humanos, como o mal de Alzheimer e a demência frontotemporal", completou Eric Verdin, outro dos autores do estudo.

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