sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Contrave Aprovado para Tratamento da Obesidade nos EUA


Há mais de um mês escrevi sobre o Contrave, uma combinação de duas drogas já existentes que promoveu perda de 6,6% do peso corporal em estudos preliminares de tratamento de obesidade. Esta semana o FDA - órgão que regula os medicamentos nos EUA - aprovou a medicação, que ainda passará por algumas etapas burocráticas até chegar ao mercado.

O FDA também exigiu a realização de um estudo que avaliasse a segurança cardiovascular do medicamento, mas o mesmo será realizado após o início das vendas. A ABESO publicou excelente matéria comentando a aprovação.

Agradecimentos ao Dr. André Murad Faria pela transmissão de informações just in time.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Refrigerante Comum Aumenta o Risco de Gota


Muitos consomem refrigerantes comuns receando os possíveis prejuízos que os adoçantes das versões "zero" possam provocar. Ignoram que o consumo exagerado de açúcar traz riscos muito maiores do que aqueles que tentam atribuir aos adoçantes.

Para engrossar a lista dos problemas trazidos pelo consumo de refrigerantes adoçados, foi publicado na edição de 24 de novembro do JAMA (Journal of American Medical Association) estudo que demonstra a gota como uma das consequências do uso regular destas bebidas.

Foram analisados dados de mais de 78 mil mulheres, cobrindo um período de 22 anos. A gota, uma forma comum de artrite que provoca dores, limitações e deformidades articulares, se mostrou muito mais comum nas consumidoras regulares de refrigerantes comuns.

Mulheres que consumiam duas ou mais porções por dia tinham risco 200% superior às que o faziam menos de uma vez por mês. Resultados semelhantes foram obtidos quando se analisou o consumo de suco de laranja adoçado.

Mais um argumento contra aqueles que ainda creem que refrigerantes dietéticos são piores que os convencionais.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sete Dicas de Fertilidade e Cirurgia Bariátrica


A edição de novembro do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism traz as diretrizes de cirurgia bariátrica elaboradas em conjunto pelas sociedades americanas de Endocrinologia Clínica, Obesidade e Cirurgia Bariátrica e Metabólica. O documento é extenso (70 páginas) e de excepcional qualidade.

Este post traz Sete Dicas de Fertilidade e Cirurgia Bariátrica. Em 2004 nos EUA, 82% dos pacientes operados foram do sexo feminino.


1 - Nos primeiros meses após a cirurgia, há um importante aumento na fertilidade feminina. Não é incomum ver mulheres que, após mais de um ano sem menstruar (algumas com elevados níveis de testosterona), retomam ciclos regulares ou engravidam.


2 - Recomenda-se que a mulher aguarde ao menos 12 a 18 meses após a cirurgia bariátrica para engravidar. Este período inicial pode se associar com maior risco de parto prematuro e carência de micronutrientes. O ideal seria esperar estabilização do peso e adaptação à nova rotina de alimentação.


3 - Anticoncepcionais devem ser suspensos um mês antes da cirurgia; reposição hormonal deve ser suspensa 3 semanas antes da cirurgia. Estrógenos aumentam a produção de fatores de coagulação no fígado, o que pode predispor à trombose venosa, uma das mais temidas complicações após a cirurgia bariátrica.


4 - Após a cirurgia, deve-se evitar anticoncepcionas orais (pílulas), uma vez que a absorção pode ficar comprometida com as modificações cirúrgicas do intestino. A preferência é por DIU ou injetáveis.


5 - Gestações após a cirurgia bariátrica cursam com menor incidência de complicações vistas com frequência na gravidez de obesas, como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou macrossomia (crescimento exagerado do feto, obrigando parto cesáreo e expondo o bebê a complicações metabólicas).


6 - A demanda nutricional na gravidez aumenta, de modo que devem ser intensificadas reposições de cálcio, ferro e proteínas. Recomenda-se ingestão de cerca de 60g de proteína por dia. O cálcio deve ser preferencialmente na forma de citrato, uma vez que o carbonato tem sua absorção prejudicada após a cirurgia bariátrica.


7 - Bebês nascidos após a cirurgia bariátrica mantêm peso menor do que os irmãos cuja gestação se deu antes de a mãe ser operada.


Para ter acesso aos Guidelines de Cirurgia Bariátrica: http://www.nature.com/oby/journal/v17/n1s/full/oby200928a.html

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Proteínas e Baixo Índice Glicêmico Ajudam Manutenção do Peso


Estudo publicado ontem no NEJM (New England Journal of Medicine), uma das mais prestigiadas revistas médicas, sugere que a proporção de macronutrientes pode interferir na manutenção do peso após o emagrecimento inicial.

Foram acompanhados mais de 500 pacientes em oito diferentes países da Europa. Após perda inicial de pelo menos 8% do peso corporal, foram alocados aleatoriamente para dietas com maior ou menor proporção de proteínas e maior ou menor índice glicêmico. Ao fim de 6 meses de seguimento, aqueles que seguiam dieta com maior teor protéico pesavam cerca de 1kg a menos do que os que tinham alimentação com menor quantidade de proteínas.

Resultado semelhante foi encontrado para aqueles que seguiam dieta com baixo índice glicêmico, que também colaborou para a manutenção da perda de peso. O índice glicêmico mede a velocidade com que os carboidratos dos alimentos são absorvidos e passam para a corrente sanguínea.

Opções de baixo índice glicêmico: lentilhas, leite desnatado, maçã, iogurte sem adição de açúcar.

Alimentos com elevado índice glicêmico: batata cozida ou frita, corn flakes, tapioca.

domingo, 14 de novembro de 2010

Dia Mundial do Diabetes


Dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. Não se sabe o número exato de diabéticos no Brasil; talvez mais de 10 milhões de pessoas sejam afetadas. Pelo menos metade nem sabe que é portadora da doença.

Hoje dezenas de monumentos ao redor do mundo ficam azuis para chamar atenção ao tema. O Cristo Redentor é um deles.

A perda de 7% do peso somada a 150 minutos de exercício por semana reduzem em mais de 50% a incidência de diabetes. O tratamento do diabetes hoje é muito diferente de 15 anos atrás; há mais classes de medicamentos, insulinas mais modernas, controle mais fácil e barato do colesterol e da hipertensão. Cirurgias de estômago e intestino curam muitos casos da doença. As bombas de insulina evoluem para o desenvolvimento de um verdadeiro pâncreas artificial no futuro.

Que a mensagem deste dia permita que muitos consigam aproveitar os avanços que estão por vir.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Garcinia Cambogia Emagrece?


Todo endocrinologista atende de vez em quando algum paciente que traz a receita de uma fórmula com Garcinia cambogia. Amplamente utilizada como condimento na Índia, tem como mais importante princípio ativo o ácido hidroxicítrico (HCA, abreviado do inglês), predominante na casca de seu fruto.

O HCA é um inibidor potente da citrato liase, de modo que reduz a disponibilidade de acetil-CoA. Com menos acetil-CoA disponível, há redução na lipogênese (síntese de gorduras). À primeira vista, portanto, o HCA seria um ótimo candidato ao tratamento da obesidade.

Um estudo de 2000 com 89 mulheres com sobrepeso acompanhadas por 12 semanas demonstrou uma perda de 1,3kg adicionais no grupo que usou Garcinia, comparada ao placebo. Não houve diferença no apetite, quando avaliado por questionários.

Outro ensaio, de 1998, envolvendo 135 participantes, empregou dose semelhante de Garcinia para indivíduos obesos. Quem tomou pílulas de farinha (placebo) perdeu 0,9kg a mais que o grupo que usou o HCA. O estudo foi criticado por empregar dieta rica em fibras e estabilizante rico em cálcio, que prejudicariam a absorção do princípio ativo.

Embora numerosos estudos animais apontem eficácia para redução de peso, o mesmo ainda não pode ser afirmado para humanos. Há poucos estudos e aqueles que sugerem efeito positivo geralmente avaliam poucos pacientes e apresentam falhas metodológicas.

Animais expostos a doses proporcionalmente 100 vezes maiores que aquelas prescritas para pacientes não mostraram efeitos adversos. O uso da Garcinia na Índia há séculos tranquiliza quanto à segurança da prescrição. Faltam, entretanto, evidências suficientes para que seja aceita como tratamento para perder peso.

Para saber mais sobre o HCA e a Garcinia:


Sobre tratamentos alternativos para obesidade veja aqui, aqui e no link abaixo:

domingo, 7 de novembro de 2010

Glibenclamida e Risco Cardiovascular


Há menos de dois meses, foi retirada do mercado brasileiro a rosiglitazona, medicamento para diabetes. Capaz de elevar o LDL (colesterol ruim), o Avandia (nome comercial) era suspeito de elevar o risco de eventos cardiovasculares (infarto, angina, derrame cerebral) em alguns estudos. Já era pouco prescrito pelos endocrinologistas, e sua proibição não provocou grandes sobressaltos à prática médica.

Há muito tempo alguns endocrinologistas também têm reduzido (alguns eliminado) a prescrição de outro medicamento para diabetes: a glibenclamida (conhecida como glyburide nos EUA). Desenvolvida em 1966 e incluída na lista de medicações essenciais da OMS (o único outro comprimido para diabetes presente na lista é a metformina), esta substância tem despertado enorme preocupação quanto ao potencial de aumentar o risco e a letalidade de doenças cardiovasculares naqueles que o empregam.

Uma recente publicação no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism reafirma este receio com a glibenclamida. Embora o estudo não seja randomizado (os pacientes não foram aleatoriamente alocados para cada medicação), traz dados que preocupam quem prescreve ou usa glibenclamida.

Analisando mais de 1300 pacientes admitidos para cuidados intensivos na França, a mortalidade naqueles que vinham usando a glibenclamida antes da internação foi quase o triplo (7,5% x 2,7%) quando comparada aos que usavam outras drogas da mesma classe (glimepirida ou gliclazida). Esta diferença se manteve quando os dados foram ajustados para fatores que pudessem enviesar o estudo.

Outros estudos clínicos e sobretudo fisiológicos sustentam estes achados. A glibenclamida tem, quando comparada a moléculas similares, maior ação sobre o músculo cardíaco. Um dos seus efeitos sobre o coração consiste em piorar a resposta do miocárdio à escassez de oxigênio, potencialmente estendendo a área do infarto.

Além do risco cardiovascular, a glibenclamida também está associada à hipoglicemia. No UKPDS (um dos mais importantes estudos já realizados em diabetes tipo 2), sua taxa de hipoglicemia foi o dobro da clorpropamida. Curioso que a clorpropamida foi retirada do mercado, dentre outros motivos, pelo risco de hipoglicemias.

A glibenclamida é fornecida pelo SUS e, para muitos, é a única opção para o tratamento do diabetes. Embora seja radicalmente contra qualquer proibição de uso ou comercialização de substâncias, torço para que a difusão desta informação permita um melhor tratamento para os milhões de diabéticos deste país.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Suplementação com ômega-3 não melhora Doença de Alzheimer


A edição de anteontem do JAMA (Journal of American Medical Association) traz os resultados de um estudo multicêntrico americano que avaliou os efeitos de suplementação de ômega-3 para tratamento de doença de Alzheimer.

O ácido graxo empregado foi o DHA (docosahexaenóico), o mais abundante dos ácidos graxos insaturados no cérebro. Investigações epidemiológicas apontavam uma menor incidência de doença de Alzheimer nos indivíduos com maior consumo de DHA. Pesquisas em animais já mostraram que o consumo deste ácido graxo reduzia as lesões microscópicas típicas do Alzheimer.

A dose escolhida foi de 2g por dia durante 18 meses; participaram mais de 400 pacientes com Alzheimer leve a moderado. Quase 300 chegaram ao fim do estudo, permitindo conclusões frustrantes. Não houve diferença em testes neuropsicológicos que avaliam a gravidade da demência nem no volume cerebral aos exames de imagem.

Talvez os ácidos ômega-3 desempenhem um papel mais importante na prevenção do que no tratamento. Há quem diga que tudo não passa de correlação, uma vez que quem consome mais ômega-3 pode ter um estilo de vida mais saudável globalmente. Fica a esperança de que surjam novos tratamentos para uma doença tão importante e devastadora como o Alzheimer.


Para ler mais sobre ômega-3, clique aqui.

sábado, 30 de outubro de 2010

Vitamina D e Cálcio Aumentam Força Muscular em Estudo Indiano


Em artigo publicado na edição de outubro do Clinical Endocrinology, estudou-se o efeito sobre a força muscular da reposição de vitamina D com suplementos de cálcio. Foram avaliados 40 voluntários (número pequeno, é verdade) com idade média de 31 anos na Índia.

Metade dos participantes recebeu sachês e comprimidos de lactose (placebo) e ao fim de seis meses exibia valores de vitamina D ainda abaixo do normal. O grupo que sofreu intervenção elevou a concentração de vitamina D para quase o dobro. Ao fim do estudo, os suplementados tinham 10% a mais de força de preensão palmar e 10% a mais de força na panturrilha (com significância estatística).

Embora os resultados confirmem o que já foi visto em pesquisas prévias, é preciso considerar que os estudos anteriores geralmente se limitavam a avaliar idosos. Ser jovem não é justificativa para negligenciar o status de vitamina D e ingestão de cálcio (para ler mais sobre vitamina D, clique aqui).

Qual o nexo? Qnexa rejeitado pelo FDA


Nos Estados Unidos, existe nas farmácias um remédio para emagrecer chamado fentermina, semelhante à sibutramina ou ao femproporex. Lá também é vendido um medicamento para epilepsia, o topiramato, que leva à redução do peso em algumas pessoas que o usam.

Com ambas substâncias sendo liberadas (e não é proibido prescrever as duas para um mesmo indivíduo), uma indústria resolve juntá-las e estudar a combinação para obesidade. O resultado: a maior perda de peso já conseguida com tratamento clínico. O dobro do obtido com a sibutramina, em média. No país campeão mundial de obesidade, dotado de uma nação de diabéticos e com as finanças arrebentadas pelos custos com doenças cardiovasculares. Um país motivo de piada por ser o mais gordo do mundo.

Motivo de comemoração? Expectativa? Esperança?

Sob a visão do FDA, não. O órgão que regula as vendas de medicamentos vetou a comercialização do Qnexa - nome comercial da referida combinação - nesta quinta-feira, 28 de outubro de 2010. Justifica sua decisão com preocupações em relação a efeitos colaterais que são inferiores aos de muitas drogas existentes nas farmácias.

Até quando permitiremos estes atentados à liberdade individual? Faço questão de "parabenizar" o FDA na próxima pesquisa que mostrar níveis insanos da obesidade americana - a velha notícia de sempre.

P.S.: fica a pergunta aos amigos médicos que leem o blog. Se as seguintes drogas fossem descobertas hoje, será que alguma seria aprovada pelo FDA?

1- Salbutamol 2- Metotrexate 3- Amiodarona 4- Propiltiouracil 5- AAS

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Contrave - Novo Medicamento para Emagrecer


Dando seguimento à série sobre novas drogas para perda de peso (ver mais aqui e aqui), hoje escrevo sobre o Contrave®. Esta medicação consiste na associação de dois princípios ativos: a bupropiona e o naltrexone.

Embora a bupropiona isoladamente já tenha comprovado eficácia em estudos prévios, seu uso na obesidade é restrito pela limitada eficácia. A droga é mais conhecida pelo seu efeito no auxílio para deixar de fumar e como antidepressivo. Atua inibindo a recaptação de dopamina e norepinefrina no cérebro.

A naltrexona é um antagonista do receptor opioide, usado nas dependências ao álcool ou aos opiáceos. Quando usada para emagrecimento, os resultados foram frustrantes.

A associação entre ambos, todavia, faz a naltrexona bloquear mecanismos cerebrais que preservam o apetite mesmo sob a bupropiona. A combinação sinérgica, quando estudada em ratos, reduziu a ingestão de alimentos tanto nos magros quanto nos obesos.

Em humanos, os estudos demonstram perda de 6,6% do peso total em menos de um ano. O efeito colateral mais comum foi a náusea. Não houve diferença importante de pressão arterial, frequencia cardíaca ou depressão (as pedras no sapato da sibutramina e do rimonabanto, respectivamente).

Em breve o Contrave® enfrenta o crivo absolutista do FDA. Desejo (junto com muitos leitores do blog) boa sorte e vida longa à medicação!

domingo, 10 de outubro de 2010

Sibutramina retirada do mercado nos Estados Unidos


Já que o mês é de Halloween, segue a "caça às bruxas". O FDA suspendeu a comercialização da sibutramina nos Estados Unidos, com base nos dados do estudo SCOUT (que mostra aumento do risco de infarto e derrame nos usuários de sibutramina que já possuíam histórico de doença cardiovascular.

A decisão saiu na sexta (8 de outubro) e fica a torcida para que a ANVISA não siga os passos dos gringos. Aguardem novos dados de aumento da obesidade no país caso ocorra a suspensão também no Brasil.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Avandia Proibido no Brasil

Como era de se esperar, a Anvisa cancelou esta semana o registro no Avandia (rosiglitazona) no Brasil. Conforme discutido em post prévio, há o receio de que a medicação possa estar associada a riscos cardiovasculares superiores aos de outros medicamentos para diabetes.
Este fato era de conhecimento dos endocrinologistas há algum tempo, e poucos prescreviam Avandia. Aos que eventualmente estejam em uso, sugiro que procurem o médico responsável pelo acompanhamento.

sábado, 25 de setembro de 2010

Rosiglitazona Suspensa na Europa e Restrita nos EUA


Na última quinta-feira (23 de setembro de 2010), a EMEA suspendeu a comercialização de medicamentos contendo rosiglitazona (Avandia, Avandamet) na Europa. Simultaneamente, o FDA impôs exigências regulatórias para a sua prescrição nos Estados Unidos. Na segunda-feira a Anvisa decide qual o futuro da droga no Brasil.
Alguns estudos sugerem que, embora reduza a glicemia, a rosiglitazona possa aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Nada tão surpreendente para uma medicação que eleva triglicérides e LDL (colesterol ruim). Os dados são preocupantes quando se considera o tremendo aumento no risco cardíaco imposto já pelo próprio diabetes (o diabético que nunca teve doença coronariana tem o mesmo risco de infartar que um paciente não-diabético que já sofreu um infarto).
Com a eventual saída da rosiglitazona, a pioglitazona (Actos) ficaria como única opção no mercado dentro de sua classe (tiazolidinedionas). Conhecendo a ANVISA, qual deve ser a decisão?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Tesofensina - Mais uma Perspectiva para Emagrecer


A história da tesofensina repete um clássico da Medicina: uma medicação testada para determinada doença se mostra benéfica para o tratamento de uma outra. Originalmente estudada para tratar doençade Parkinson e Alzheimer (sem bons resultados), a tesofensina levou um subgrupo de pacientes obesos à perda de 4% do peso sem qualquer orientação de dieta ou atividade física.


À semelhança da sibutramina, a tesofensina inibe a recaptação da noradrenalina, serotonina e dopamina no cérebro. Promove inibição do apetite e redução da saciedade. Ainda não se sabe seu efeito sobre o metabolismo.


Num estudo com a dose de 0,5mg, em 6 meses, mais da metade (53%) dos pacientes alcançouperda superior a 10kg. Este resultado corresponde ao dobro da redução obtida com medicações atuais para a obesidade. Não bastasse a maior potência, análises de composição corporal demonstraram que a perda se deve sobretudo à perda de gordura. O mesmo ensaio mostrou que, junto com a perda de peso, houve queda da glicemia e melhora no colesterol e nos triglicérides.


Os efeitos colaterais são semelhantes à sibutramina: boca seca, insônia, dor de cabeça, constipação. Apesar de a dose de 0,5mg não ter elevado a pressão arterial, houve aumento da frequência cardíaca de 5 a 8 bpm. Um dado preocupante, sem dúvida.


A tesofensina parece ser uma sibutramina mais potente. Fica a esperança de que essa potência não se acompanhe de efeitos colaterais mais intensos. Ainda faltam mais estudos para que hajasegurança de lançar a droga ao mercado. Seria um sucesso tremendo e um baita auxílio para os obesos.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cetilistate - Nova Droga para Obesidade


O orlistate não é nenhuma novidade no tratamento da obesidade. Comercializado sob os nomes de Xenical ou Lipiblock,trata-se de droga eficaz, porém de modesta potência, para o tratamento dos obesos.

Sua grande vantagem é a segurança. O orlistate não é absorvido em níveis significativos pelo organismo, agindo apenas no intestino.Quando tomado até 1 hora após a refeição, reduz em 30% a absorção de gorduras, que são eliminadas nas fezes.

Aí que surge o problema: alguns pacientes se queixam de diarreia. Outros passam pelo vexame de, ao levantar da poltrona, notar uma tremenda mancha de óleo, eliminada sem que se percebesse, provocando um constrangimento capaz de afastar definitivamente o sujeito do tratamento.

O cetilistate, droga em fase avançada de estudo para a obesidade, age do mesmo modo que o orlistate. Tem potência semelhante. Até o nome é quase igual. Pequenas diferenças na estrutura da molécula, entretanto, fazem com que o cetilistate não promova tanta coalescência entre as micelas de gordura.Essa propriedade reduz a formação de óleos e diminui a incidência de efeitos colaterais.

Para quem se traumatizou com o orlistate, o cetilistate pode ser uma esperança para a perda de peso com segurança e sem vexames.

Perspectivas no Tratamento da Obesidade

Hoje tive o prazer de receber a última edição dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia e ver o nome de um grande amigo. Dr André Murad Faria, estampado no principal artigo da revista, entitulado "Progressos recentes e novas perspectivas em farmacoterapia da obesidade".

Escrito com a orientação dos nossos ex-professores da USP, trata-se do melhor texto médico que li no último ano. Não poderia deixar de comentá-lo no blog.

Dada a extensão e profundidade, reservarei um post para cada medicamento ou associação em estudo. Alguns já bem adiantados, prestes a ocupar prateleiras de farmácias, capas de revistas e muitos simpósios médicos.

Espero que os leitores do blog aproveitem com a mesma intensidade que eu aproveitei o ano de convivência com o brilhante colega. Só para estimular, deixo um gráfico do referido "paper", que mostra como os novos medicamentos podem ter potência muito superior à sibutramina ou orlistate.


domingo, 19 de setembro de 2010

Selênio e Tireóide


Este post tem o objetivo de acautelar algumas pessoas que andam empolgadas com a relação entre selênio e doenças da tireóide. Recentemente ouvi de uma professora de Nutrição que a mesma recomendava duas castanhas-do-pará por dia para todo paciente com hipotiroidismo. Teria ela razão?

O selênio é fundamental para o metabolismo dos hormônios da tireóide, sendo necessário para o funcionamento de muitas enzimas dentro e fora da glândula. Alguns estudos demonstram menor concentração de selênio em indivíduos com bócio (aumento do volume da tireóide).

Quando partimos para a prática, entretanto, as evidências clínicas são frustrantes. Alguns relatos isolados de regressão da tireoidite com uso do selênio (Thyroid 2009), mas quando grupos de pacientes são tratados, boa parte não melhora ou até segue o curso natural da doença, com deterioração progressiva da produção de hormonal. Ademais, o excesso de selênio (cujo limite superior de ingesta diária fica em 400mcg/dia) pode se associar à queda nos níveis de T3 e prejuízos à fertilidade, lesões em unhas e cabelos.

O selênio desempenha importante papel nas funções reprodutivas e imunológicas do organismo. Longe de mim querer erguer uma "cruzada anti-selênio", muito pelo contrário. Não há, entretanto, evidência que justifique o uso indiscriminado de selênio para pacientes com hipotiroidismo. Ainda mais quando isso passa pela ingestão de um alimento que possui mais de 600kcal para cada 100g e que detém o maior percentual de gorduras saturadas (25% das gorduras) dentre todas as castanhas e nozes existentes.

Vale lembrar que, a depender do local de plantio (e da concentração de selênio do solo), uma mesma castanha (ou feijão, ou qualquer alimento contendo selênio) pode ter até o dobro da quantidade do elemento em comparação com outra idêntica, mas de outra procedência. O consumo diário recomendado de selênio fica entre 55 e 70mcg por dia, sendo que uma castanha oferece de 200-400mcg do elemento.

Cuidado com certas promessas e "verdades" sem embasamento científico.

Para saber mais:

Effects of selenomethionine supplementation on selenium status and thyroid hormone concentrations in healthy adults - Combs Jr GF et al - Journal of Clinical Nutrition 2009

Deficiências de Minerais - Profa. Dra. Silvia M. Cozzolino (2007)

sábado, 18 de setembro de 2010

FDA veta entrada da Lorcaserina no mercado


Por nove votos a cinco, nesta quinta-feira 16/09/10, os consultores do FDA negaram a entrada da Lorcaserina (já discutida em outro post) no mercado. Argumentam que a perda peso não é muito grande (pouco acima de 5% do peso total, embora um subgrupo atinja 10-15% de perda) e que não há estudos sobre o benefício para comorbidades associadas. Demandam, além de estudos com obesos diabéticos e com doenças cardiovasculares, mais dados de segurança quanto a eventuais neoplasias e doenças valvares induzidas pelo fármaco.
Mais uma atitude autoritária, mais uma celebração ao Estado Orwelliano que se parece seja nos EUA, Brasil ou União Europeia. Por que não deixar cada médico e cada paciente decidir o que fazer com o próprio corpo? Quais os limites do controle de governos e agências reguladoras?
Sob o mesmo argumento, deveriam proibir cigarro, açúcar, esportes radicais, vale-tudo, viagens rodoviárias. Não existe vida sem risco. O que é benéfico ou interessante para uma pessoa pode não ser para outra.
Saem no prejuízo as centenas de milhões de obesos no mundo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Aumenta Obesidade no Brasil

Repercutindo a Pesquisa do IBGE:
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Mais homens estão acima do peso que mulheres. É o que constata a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que avaliou as medidas de 188 mil pessoas no país. Divulgada hoje (27), a pesquisa mostra que 50,1% dos homens estão com excesso de peso, enquanto entre as mulheres o percentual é de 48%.
Fator de risco para a saúde, o problema tem aumentado entre os adultos desde a década de 1970, quando o índice de sobrepeso era de 18,5% para os homens e 28,7% para as mulheres. Isso também se reflete na obesidade. De acordo com o dados, um a cada quatro homens sofre de obesidade (12,5%) e uma a cada três mulheres (16,9%).
Tanto o excesso de peso quanto a obesidade foram constatados com maior frequência nas regiões Sul e Sudeste e nas mais elevadas faixas de renda. No caso dos homens, a prevalência de sobrepeso foi de 58,7% entre aqueles com ganhos entre dois e cinco salários mínimos e de 63,2% a partir de cinco salários. Entre as mulheres, a prevalência é nas classes intermediárias de renda.
"No caso dos homens, o excesso de peso e a obesidade mostram uma relação direta com a renda", destaca a pesquisadora do IBGE Marcia Quintslr. "Já com as mulheres, observamos que independentemente da classe de renda, os níveis de excesso de peso ficam bastante parecidos."
O excesso de peso é maior entre os homens entre 35 e 64 anos, sendo que tende a diminuir a partir dessa idade. Já entre as mulheres, o ganho foi notificado a partir dos 45 até os 74 anos.
Entre as crianças de 5 a 9 anos, o percentual daquelas com excesso de peso é de 34,8%. Entre os jovens que estão na faixa dos 10 aos 19 anos, o percentual é de 20,5%. A maior prevalência em ambos os casos foi identificada nas regiões Sul e Sudeste, mas ocorre em todas as regiões do país. "É um fenômeno que se mostra crescente na população e aparece de forma generalizada nas faixas etárias, nas categorias diversas de rendimento e nas grandes regiões", reforça a pesquisadora do IBGE.
O documento indica que o problema reflete mudanças na alimentação e no hábito de praticar atividades físicas, já que o excesso de peso expressa um desequilíbrio no aproveitamento de calorias pelo corpo. "Pesquisas realizadas até 2002-2003 revelam a tendência crescente de substituição de alimentos tradicionais (arroz, feijão e hortaliças) por industrializados (refrigerantes, biscoitos, carne processada e comida pronta)", afirma o texto.
O documento do IBGE também lembra que o aproveitamento de energia está ligado à prática de exercícios físicos, que ainda não fazem parte do hábito dos brasileiros, em geral. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) mostra que uma a cada dez pessoas com 14 anos ou mais de idade fazem exercícios ou praticam algum tipo de esporte regularmente no país.
Edição: Lílian Beraldo
Agência Brasil - Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nova Medicação para Obesidade

Saiu hoje no New England Journal of Medicine um estudo com resultados positivos para uma nova droga contra a obesidade, a lorcaserina. Após um ano de tratamento, a droga promoveu uma perda média de 5,8kg. O grupo que recebeu placebo (pílulas sem princípio ativo) perdeu em média 2,2kg.

A droga age sobre o receptor 2C da serotonina, ativando neurônios responsáveis pela saciedade. Os efeitos colaterais incluem tonturas, náuseas e dor de cabeça, sem relato de efeitos colaterais graves nos mais de 800 pacientes que usaram o medicamento por mais de um ano.

Trata-se de um importante passo no limitado tratamento farmacológico da obesidade. Que venha o quanto antes para o mercado de modo a confirmar segurança e eficácia na prática.

domingo, 11 de julho de 2010

Risco com propiltiouracil

Os dados publicados (com direito a editorial) na edição de julho do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism trazem preocupação em relação ao uso do propiltiouracil (PTU). Droga com mais de 50 anos de uso para tratamento do hipertiroidismo, sem patente nem grandes interesses mercadológicos.

Desde o início de seu uso são relatados raros casos de lesões ao fígado após o início do tratamento. Como o hipertiroidismo não é uma doença tão comum e o próprio excesso de hormônios da tireóide pode alterar os exames laboratoriais hepáticos, nunca ficou claro qual o tamanho do risco com a medicação.

O alarme surgiu com o relato de que o PTU é a terceira medicação mais implicada em casos de insuficiência hepática por drogas que demandam transplante hepático. Um remédio com prescrição muito inferior a centenas de outros!

Pior de tudo: existe o metimazol, uma alternativa também com décadas de mercado, cuja única (e discutível) restrição seria o uso em gestantes. Os autores, em bom baianês, ficam “injuriados” com o fato de o PTU ainda ser usado como primeira escolha em um quinto dos casos nos EUA.

A situação fica pior em crianças. Elas parecem ser mais susceptíveis à hepatite induzida pelo PTU. O risco chegaria a uma em cada duas mil tratadas. De fato não é comum, mas algo tão grave a ponto de ameaçar a vida e demandar um transplante de fígado merece toda a atenção e divulgação.

sábado, 10 de julho de 2010

Efeitos colaterais da testosterona

A edição desta semana do New England Journal of Medicine publica um estudo sobre efeitos colaterais da testosterona em idosos. O ensaio envolveu mais de 200 homens (quantidade maior que a maioria dos protocolos envolvendo hormônio masculino) americanos, com mais de 65 anos e limitações à mobilidade. A média de idade (74 anos) era elevada, assim como a prevalência de doenças crônicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e obesidade.

Para participar do estudo ainda era necessário que a concentração de testosterona no sangue estivesse no limite inferior da normalidade (valores normais ou graves deficiências excluíam o voluntário). A testosterona era formulada em gel a 1%, uma vez por dia, com dose ajustada conforme a variação nos exames laboratoriais.O estudo começou a recrutar pacientes em setembro de 2005, sendo prematuramente interrompido em dezembro de 2009. O motivo foi uma maior incidência de eventos adversos cardiovasculares no grupo que recebeu testosterona.

Simplesmente mais que o dobro de complicações. Como era de se esperar por conta do gel, também houve maior incidência de efeitos indesejáveis dermatológicos. O tratamento ainda aumentou a viscosidade sanguínea e reduziu tanto o colesterol bom (HDL) quanto o ruim (LDL).
A surpresa (para alguns) ficou por conta de meta-análises prévias que sugeriam neutralidade da testosterona em relação às complicações cardíacas. Os defensores do hormônio têm como contra-argumentar com dados do próprio estudo:

1-Não houve diferença na incidência de hipertensão, apesar do reconhecido efeito retentor de líquido e sódio da testosterona.
2-O grupo que recebeu o gel com hormônio já possuía uma maior quantidade de participantes com hipertensão arterial ou colesterol alto (embora o maior risco continue mesmo feito o devido desconto para esses fatores).
3-A amostra e o tempo de seguimento foram pequenos (embora bem maiores que a média dos estudos sobre o tema).
4-Os voluntários eram de risco muito elevado. De fato, idosos de mais de 70 anos com índice de massa de 30 não correspondem ao grupo que costuma usar este tipo de substância.

O estudo traz uma preocupação a mais em relação ao uso da testosterona. Não há dúvidas que acende uma luz amarela em relação ao tratamento da suposta “andropausa” e agrega dados para uma área tão carente de evidências científicas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Alerta aos seguidores de dietas ricas em gorduras e pobres em carboidratos


Vira e mexe as dietas ricas em gorduras e pobres em carboidratos voltam à moda, e a onda da "dieta metabólica" reacende o tema. Sempre houve uma má-vontade da comunidade científica contra essas dietas.
De início, achavam que, por ter muita gordura, não funcionaria. Vieram estudos e mostraram que conseguem reduzir o peso. Além de induzirem cetose (utilização de corpos cetônicos, derivados das reservas de gorduras, como fonte de combustível), o que acontece é que a quantidade de calorias ingeridas acaba sendo baixa, dada a monotonia da dieta. Exige-se a semi-exclusão de carboidratos.
Depois disseram que conduziria à dislipidemia. Vieram outros estudos e mostraram que além de não ser deletéria ao colesterol, reduz os triglicérides mais que a dieta balanceada.

O método, entretanto, não é uma panacéia. Nunca se mostrou superior a outras dietas em eficácia nem em adesão em estudos maiores. Não tinha nenhuma característica especial, já que os participantes acabam fazendo dieta hipocalórica também (ficam enjoados de comer apenas gorduras, de modo que o consumo diário se torna limitado).

A peça que não encaixa(va) era o contra-senso diante de estudos ancilares, da década de 60-70, que mostravam indiscutivelmente uma maior incidência de doenças e mortes cardiovasculares quando se aumentava a ingestão de gordura. Em seres humanos é difícil avaliar isto, pois estudos para avaliar dieta são caros, trabalhosos e observar uma diferença na mortalidade cardiovascular poderia levar décadas diante da elevada taxa de desistência em QUALQUER dieta.

Uma parte da resposta veio de pesquisadores que testaram dieta rica em gorduras e pobre em carboidratos em ratos predispostos à aterosclerose. O resultado foi assustador: esta dieta levou à formação de o DOBRO de placa de gordura nas artérias das cobaias, apesar de níveis semelhantes de colesterol. A pesquisa levou a novas linhas de estudo que estão identificando fatores de risco para doença cardiovascular até então desprezados ou desconhecidos, como os níveis de ácidos graxos circulantes (que aumenta nessa dieta) e a concentração de celulas progenitoras do endotélio (células que revestem internamente os vasos, que se encontram reduzidas nas dietas high fat, low carb).

Diante dos fatos, acho mais sensato para quem quer perder peso tentar dieta balanceada em macronutrientes, ou ao menos ter noção dos riscos que corre com high-fat, low-carb. Eis algumas referências de artigos publicados em revistas médicas de impacto, não em livros de auto-ajuda:


1-A look at the Low-Carbohydrate Diet - Smith SR - NEJM 361;23-25; Dec 2009

2-Vascular Effects of a Low-Carbohydrate High-Protein Diet - Foo SY et al - Proc Natl Acad Sci USA 2009 Aug

terça-feira, 15 de junho de 2010

Petiscos da Copa


Esse sofrimento para vencer a Coréia do Norte foi um choque de realidade para quem torce para o Brasil. O UOL aproveitou e aplicou outra injeção de “vida real” ao descrever as calorias dos principais petiscos dessa época de Copa do Mundo. Aí vai uma lista modificada:


Amendoim – 160kcal em 30g (sem contar o excesso de sal)

Coxinha de frango – 211 kcal

Bolinho de bacalhau (30g) – 159 kcal

Pastel de queijo (40g) – 120 kcal

Batata chips (30g) – 160 kcal

Castanha de caju (100g) – 574 kcal


Para amenizar:


Azeitona – 60kcal em 30g

Pão sueco ou pão sírio integral – 100kcal em 30g

Homus de grão de bico – 40kcal em 30g

Rolinho de peru (3 fatias) com cream cheese light e pepino – 50kcal


Não quero bancar o radical, mas sugiro que reservem tira-gosto especial para jogo especial. Esse 2x1 teve um saborzinho de chuchu mesmo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sibutramina fora da rede pública paulista




É com extrema irritação que sou obrigado a postar a notícia de hoje abaixo, de autoria do UOL:


Pacientes que utilizam a rede pública do município de São Paulo não podem mais ser tratados com sibutramina, medicamento que atua como inibidor de apetite e teve prescrição restringida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em março deste ano.
A droga faz parte de uma categoria de medicamentos chamada B2, da qual fazem parte também os anorexígenos (inibidores da fome) derivados da anfetamina, como afepramona e fenproporex. Esses remédios só podem ser vendidos mediante apresentação de uma receita azul com numeração específica, fornecida aos médicos pela Vigilância Sanitária de cada região.
Em um documento obtido pelo UOL Ciência e Saúde, a Área Técnica de Assistência Farmacêutica, subordinada à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, informa que, diante de estudos que mostram os riscos do medicamento a pacientes com problemas cardiovasculares, não autoriza a confecção de talonários de notificação de receita B2 para prescrição de sibutramina.
O texto também diz que os fármacos utilizados no tratamento da obesidade e do sobrepeso “não têm lugar na terapêutica” e que “a Administração não pode e não deve propiciar o acesso a produtos farmacêuticos que não trazem benefícios aos pacientes, como é o caso dos supressores de apetite de ação central”.
Embora a sibutramina não tenha sido proibida pela Anvisa, a política para obtenção da receita B2 é definida por Estados e municípios. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, a restrição é exclusiva à sibutramina, e não a outros remédios para emagrecer.
Endocrinologistas ligados à Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) temem que a medida seja estendida para outras regiões, o que pode prejudicar um número ainda maior de pacientes da rede pública que sofrem de sobrepeso ou obesidade, condições que comprovadamente aumentam o risco de diversas doenças. “A sibutramina não é uma panaceia, mas funciona para certos pacientes que não conseguem perder peso só com dieta e exercícios”, diz a médica Rosana Radominski, presidente da Abeso.
Restrições
Desde o início do ano, agências reguladoras de medicamentos vêm fechando o cerco à sibutramina. O motivo foi a publicação do estudo Scout (Sibutramine Cardiovascular Outcomes Trial), uma pesquisa que contou com cerca de 10 mil pacientes de 55 anos ou mais e história de doença cardiovascular ou diabetes tipo 2. Eles foram avaliados ao longo de seis anos. Os resultados indicaram que o risco de desenvolver enfermidades cardiovasculares (como derrame e infarto) era 16% maior nos pacientes que utilizaram o remédio em relação aos tratados com placebo.
Com base no estudo, a EMA (European Medicine Agency), agência regulatória da União Europeia, decidiu proibir a comercialização da sibutramina em todo o bloco. Os EUA foram menos rigorosos e o FDA (Food and Drug Administration), que regula a venda de remédios e alimentos no país, incluiu novas contraindicações na bula do produto, para evitar a prescrição do remédio a pacientes com história de doença cardiovascular e/ou diabetes tipo 2. A conduta, no Brasil, foi a mesma, e a Anvisa enviou um alerta às entidades médicas.
No entanto, no fim de março, a Anvisa decidiu reclassificar a sibutramina, transferindo a droga da categoria C1 (que prevê a retenção de receita pelas farmácias) para a B2, referente aos psicotrópicos anorexígenos. Além do receituário ser mais controlado (os médicos têm de ir a um endereço específico para obter a numeração e mandar confeccionar o talonário), os profissionais não podem prescrever mais do que 30 dias de tratamento. Além disso, o produto vem com a tarja preta que alerta para o risco de dependência - a sibutramina é um antidepressivo que estimula a saciedade e, segundo os médicos, não provoca dependência.
Consumo abusivo
O objetivo da mudança, segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, foi não apenas proteger a saúde dos pacientes, mas coibir a venda indiscriminada da sibutramina no país. O primeiro relatório do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, concluído este ano pela agência, indica que a população brasileira consumiu, em 2009, quase 2 toneladas da droga. O aumento mais marcante foi observado antes do verão. No mesmo período, o consumo de anfepramona chegou a 3 toneladas.
O relatório também aponta que o profissional que mais receitou a sibutramina no período foi um especialista em medicina do tráfego. Não existe restrição legal para que um médico dessa especialidade receite um remédio para emagrecer, mas o fato, considerado pouco ético, foi encaminhado ao Conselho Federal de Medicina.
Questionamentos
Médicos ouvidos pelo UOL Ciência e Saúde concordam que o abuso na prescrição de medicamentos deva ser contido. Mas acreditam que a medida, estimulada por alguns médicos pouco criteriosos, acabe prejudicando os pacientes que realmente precisam desse tipo de droga.
A presidente da Abeso afirma que mesmo os anorexígenos conhecidos por provocar tolerância, como a anfepramona, às vezes são a única opção para tratar certos casos – por exemplo, quando o paciente precisa emagrecer rápido porque vai ser submetido a uma cirurgia e a obesidade aumenta o risco de complicações. Ela lembra que o orlistat, outra droga disponível para reduzir a absorção de gordura pelo organismo, ainda é muito caro.
O médico Márcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, questiona as reações das autoridades à sibutramina. "O estudo Scout foi feito em pessoas com mais de 55 anos e histórico de doença cardiovascular e diabetes, um tipo de paciente que para o qual dificilmente receitávamos a substância, já que ela pode elevar um pouco os batimentos cardíacos", comenta. A sibutramina também pode provocar efeitos colaterais como boca seca, insônia e prisão de ventre.
Mancini conta que o fim da patente da sibutramina fez com que os preços de genéricos e similares da droga caíssem muito nos últimos dois anos, o que gerou aumento no consumo. Segundo ele, muitos médicos até deixaram de prescrever anorexígenos passíveis de provocar dependência, que são baratos, porque o tratamento com sibutramina passou a ser acessível.
O endocrinologista acredita que o total de 2 toneladas divulgado pela Anvisa não deveria causar tanto impacto, porque o problema para o qual é usado tem alta prevalência no país. Para se ter uma ideia, quase metade dos paulistanos apresentam sobrepeso. Já a incidência de obesidade varia de 13% a 15% em todo o país. "Se um terço dos obesos tomasse 10 mg de sibutramina diariamente, que é a menor dose, após três meses o total seria de aproximadamente 7 toneladas do medicamento", calcula.
Pelo lado dos pacientes, a decisão da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo traz outra questão: se a sibutramina traz tantos riscos aos pacientes, por que não foi banido pela Anvisa? Para o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), os novos riscos apontados pelos pesquisadores e a proibição da sibutramina na Europa já seriam motivo para suspender a venda do produto no Brasil.
"O rigor maior na prescrição e na venda não elimina os risco para os pacientes que utilizarem o produto. Por isso, o Idec considera que, em nome do direito à saúde e do princípio da precaução, a sibutramina deveria ser suspensa no país", afirma Mirtes Peinado, consultora técnica do Idec.



Sinto-me no direito e na obrigação de comentar. Quem sai perdendo, obviamente, são os obesos que não conseguem pagar uma consulta com endocrinologista nem comprar a sibutramina. Durante dois anos trabalhei com o Márcio Mancini no ambulatório de Obesidade do Hospital das Clínicas da USP. Dezenas e dezenas de pacientes mudaram de vida, tamanha a perda de peso. Nunca prescrevíamos para pacientes de risco coronariano, e desconheço qualquer evento adverso cardiovascular no período.


Eis que aparece um, ou uma, ou uns burocratas governamentais para impor suas vontades tendo a força ao seu lado. "Não pode usar sibutramina, faz mal ao coração". E fumar, pode? E beber, pode? E se entupir de pizza, de fast food, como certamente muitos desses "barnabés" fazem, não prejudica o coração?


Este veto é mais um pesadelo orwelliano que tende a culminar com a proibição da sibutramina no país. As consequências possíveis são duas: a primeira é o aumento do uso de anorexígenos mais antigos e menos estudados, prejudicando todos os obesos do Brasil (cerca de 17 milhões de pessoas). A segunda é o tráfico ilegal de sibutramina, via Paraguai ou Estados Unidos, com custos absurdos, mais trabalho para Polícia Federal e nenhum acompanhamento médico para esses pacientes.


Cada um tem o direito de fazer o que quiser com o próprio corpo, e se aconselhar (caso ache necessário) com quem julgue capaz e conhecedor. A vida é um sem-fim de riscos. A frase da autoritária consultora mostra toda a sua cegueira em relação a este fato e à Medicina de um modo geral: "o rigor maior não elimina os riscos."


Gostaria de avisá-la que é IMPOSSÍVEL eliminar os riscos em qualquer atividade. Dirigir tem riscos, usar aspirina tem riscos, lipoaspiração tem riscos, jogar futebol, comer um chocolate. Uns preferem uma vida com o mínimo de risco, outros com o máximo. Ninguém tem o direito de impor o que é adequado ou não para o corpo de uma outra pessoa consciente e adulta. Nem com leis, polícia, imprensa ou todo o aparato truculento ao seu dispor.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Efeitos Colaterais da Testosterona

Em posts anteriores já havia falado que, quando o assunto são efeitos colaterais da testosterona e derivados, há mais caça às bruxas do que evidência científica. Um artigo desde mês do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism (escrito por Fernández-Balsells e colaboradores) confirma esta opinião.

Trata-se de uma meta-análise, ou seja, um estudo que compila os dados de dezenas de outros estudos. Este agrupamento de informações confere maior poder estatístico à análise.

Os próprios autores reconhecem a escassez de estudos de qualidade sobre o tema. É tranquilizador, entretanto, ler que os únicos efeitos colaterais que alcançaram significância estatística foram o aumento da viscosidade sanguínea e uma leve queda do colesterol HDL. Não houve maior incidência de infarto miocárdico nem arritmias.


Outro ponto a se destacar é que as doses empregadas nestes estudos foram tipicamente muito inferiores às usadas como anabolizantes. Interessante observar que a endocrinologia, ao menos a internacional, mantém o ceticismo científico em lugar do preconceito barato em relação ao tema.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Atkins?

Outro dia, outra pancada na dieta Atkins, que segue cada vez mais em baixa. A mesma edição do Obesity citada no post abaixo compara os efeitos psicológicos de dietas isocalóricas muito pobres ou ricas em carboidratos.
Após um ano de tratamento, apesar de a perda de peso ser equivalente, a dieta muito pobre em carboidratos teve pior impacto sobre humor e afetividade.

Sono e Perda de Peso


Estudo de um grupo de Chigago (Obesity Suppl 2 - 2009) mostrou que quem dorme mais de 7h por noite preserva mais massa magra (músculos) quando submetido à dieta para perda de peso.
Em indivíduos que dormiam em média 5:15h por noite, 75% da redução do peso se deu através da perda de massa muscular. Para quem quer preservar os músculos enquanto emagrece, fica a lembrança da importância de sono suficiente.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Salsalato e Diabetes

Os primeiros relatos de melhora do diabetes com salicilatos surgiram mais de cem anos atrás. Há cerca de 15 anos, sabendo-se da importância da inflamação nesta doença, foi descoberto que doses altas destas medicações (cujo mais famoso membro é o AAS/aspirina) reduziam a glicemia (açúcar no sangue).
Essa melhora não vinha sem efeitos colaterais. A dose necessária correspondia a 14 aspirinas por dia, levando a considerável risco de úlceras estomacais.
Buscou-se então estudar o salsalato, usado para artrite há anos, barato e com menor efeito sobre o estômago. Em março foi publicado no Annals of Internal Medicine um estudo promissor com pouco mais de 100 pacientes, custeado pelo governo americano sem interferência de companhias farmacêuticas.
Após 14 semanas de uso, houve queda na glicemia, nos triglicérides e no ácido úrico. Só ocorreram hipoglicemias naqueles que usavam também sulfoniluréias (sabidamente causadoras deste efeito colateral).
Além de provocar desconforto abdominal (mas sem sangramento), aumentou o risco de tontura, que ocorreu em 20% dos pacientes. Mais preocupante ainda foi o aumento da eliminação de albumina na urina, um reconhecido marcador de risco de evolução para insuficiência renal e doenças cardiovasculares.
O estudo é promissor. Ponto. Não justifica a precipitação de começar a prescrever 7 comprimidos da droga por dia (sim, a dose foi alta) para tratar diabetes tipo 2. Os possíveis efeitos renais preocupam. Fica a torcida para que surjam estudos maiores demonstrando segurança para uso.

Altitude emagrece?

Pesquisadores alemães tentaram responder a esta pergunta e trouxeram dados interessantes na revista Obesity de abril. Foram estudados 20 voluntários que saíram de uma altitude de 500m para 2650m. Em uma semana, perderam em média 1,5kg cada. Cada um reduziu a ingestão de alimentos em mais de 700 kcal por dia.
O dado mais surpreendente observado foi o aumento de leptina com a perda de peso. A leptina é um hormônio produzido pelas células que estocam gordura (adipócitos) e sua quantidade no sangue é proporcional à massa de gordura de cada pessoa. Possui ação inibidora do apetite no sistema nervoso central.
Tipicamente, a perda de peso reduz a concentração de leptina, o que aumenta o apetite e mantém o peso dentro de uma faixa regulada. Este estudo pode abrir portas para um melhor entendimento sobre a leptina e o tratamento da obesidade.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Termogênicos


O que chega de paciente no consultório pedindo um “termogênico” não é brincadeira. Curiosa a naturalidade com que o fazem, como se fosse algo trivial aumentar o gasto de energia do organismo. De fato, seria ótimo poder manipular precisamente o nosso consumo de calorias sem efeitos colaterais. Antes de falarmos desse antigo sonho da humanidade, vamos ao básico sobre “termogênese”.
A palavra “termogênese” significa geração de calor. O corpo humano não difere de outras máquinas, em que qualquer transferência ou transformação de energia proporciona a perda de uma parcela na forma de calor. Essa propriedade pode ser explorada intencionalmente, mantendo estável nossa temperatura (calafrios no inverno) ou surgir como uma conseqüência indesejada (calor excessivo na atividade física vigorosa).
O próprio ato de se alimentar gera calor. Cerca de 10% da energia que gastamos é consumida no processo de liberar enzimas, absorver substancias, movimentar o tubo digestivo.


Manter cérebro, pulmões, coração, fígado trabalhando 24 horas por dia também tem seu “custo” energético. Nada menos que 60 a 70% das calorias que gastamos são empregadas apenas para manter em funcionamento órgãos vitais mesmo em repouso. Atividade física (subir escadas, caminhar, levantar pesos) consome em média 25% da energia que obtemos da dieta. Atletas podem elevar esse percentual de acordo com o volume de treino.


Outra forma mais interessante é a termogênese do tecido adiposo marrom. Esta forma de gordura existe em maior quantidade quando somos bebês e não temos capacidade de buscar um cobertor ou acender fogo. Também está presente em mamíferos que vivem em regiões geladas do planeta, e consome energia com a finalidade de gerar calor e manter estável a temperatura.

A idéia que existe desde os anos 30 é de tentar aumentar o consumo de energia mesmo em repouso (ou seja, elevar o metabolismo), viabilizando o sonho de emagrecer sem sofrer com horas e dias e meses de atividade física.

Hormônio de tireóide – administrar doses elevadas de T3 ou T4 de fato aumenta o consumo de energia (eleva o metabolismo em até 15%) e emagrece. Difícil é lidar com as conseqüências indesejadas. Como agem em praticamente todos os órgãos, o excesso desses hormônios leva à ansiedade, tremores, arritmias, insônia e osteoporose.

Hormônio de crescimento – além de preservar a massa magra, o GH estimula a queima de gordura e pode aumentar em até 15% o metabolismo. Trata-se de aposta para lá de arriscada, uma vez que está muito bem documentado o aumento de mortalidade cardiovascular e diabetes (além de, possivelmente, câncer) nos portadores de acromegalia, uma doença rara em que o organismo produz elevados níveis de GH.

Adrenalina – o consumo de análogos de adrenalina estimula os batimentos cardíacos e o tecido adiposo marrom, elevando o metabolismo (sem superar a cifra de 30% de aumento). Cafeína, efedrina, clembuterol agem, em última análise, incrementando a ação de adrenalina e noradrenalina em seus receptores. É comum ver atletas consumindo medicações para asmáticos que contenham essas substâncias para alcançar menor percentual de gordura. Mal sabem que, além do inconveniente tremor que acarretam, expõem a arritmias cardíacas graves.



Para quem acha que é um detalhe o fato de essas medicações aumentarem a freqüência cardíaca, fica a informação de que numerosos estudos documentam a relação entre batimentos mais rápidos em repouso e risco de morte por doenças cardíacas – elevação de 10 bpm aumenta em 18% este risco!


Carnitina – a L-carnitina é uma molécula importante para o transporte de gordura para as mitocôndrias. As mitocôndrias são minúsculos órgãos dentro de cada célula onde se dá a queima final da gordura e a produção de energia.
Nosso organismo quase sempre já dispõe de quantidade suficiente (com sobras) de carnitina para queimar gordura. Pressupor que repor carnitina elevará a queima de gordura em todo mundo é o mesmo que achar que aumentar o numero de caixas estimulará as vendas de qualquer supermercado. Não é à toa que a maioria dos estudos não comprova benefício, embora se trate de substância segura.
A carnitina, como se infere de seu nome, é obtida na alimentação pelo consumo de quantidades minimamente adequadas de carne vermelha.

Desacopladores – na década de 30 surgiu uma substancia que parecia promissora para a cura da obesidade. O DNP (dinitrofenol) dificultava a geração de energia no organismo, mas provocava excessiva geração de calor pela perda da eficiência no processo. Foram reportados alguns casos de catarata e morte por hipertermia até a sua suspensão em 1938.

PERSPECTIVAS

Numerosos centros pesquisam hormônios de tireóide modificados, sem ação sobre ossos ou coração, que seriam capazes de promover emagrecimento. Moléculas que reduzem a eficiência energética do organismo sem provocar acentuada hipertermia também são estudadas. Até lá, quando oferecerem um “termogênico”, diante dos riscos oferecidos pelos atuais, prefira o tradicional efeito termogênico dos exercícios. Andar tão lentamente quanto a 1,6km/hora aumenta em 154% seu metabolismo.

[a elaboração do artigo contou com a generosa cessão de estudos pelo Prof. J. R.S.Arch, da Universidade de Buckingham, estudioso e autor de artigos na área de termogênese]