sábado, 7 de novembro de 2009

Memória Metabólica e Radicais Livres


O aumento de radicais livres é uma das principais causas das complicações do diabetes induzidas pelo aumento da glicemia. A cada dia que passa cresce a importância do “stress oxidativo”, fenômeno em que são geradas substâncias predispostas a reagir imediatamente contra uma série de proteínas importantes de nossas células. Estas substâncias inconvenientes são os ditos radicais livres.
O estudo de tais substâncias está ajudando a esclarecer um fenômeno observado nos diabéticos. Ainda em parte incompreendido, atribui-se o nome de memória metabólica à redução do risco de complicações do diabetes quando se obtém um controle adequado da glicemia no início da doença. O curioso é observar que este efeito protetor é preservado mesmo quando os pacientes deixam o tratamento intensivo após uma fase de controle inicial.
Por outro lado, a obtenção do controle da glicemia só após muito tempo de instalado o diabetes pode não ajudar tanto. Estudos realizados em retinas e rins de camundongos – órgãos-alvo das complicações diabéticas – demonstram que, após dois meses de doença, o controle adequado da glicemia permite a redução da produção de radicais livres nos tecidos. Se o diabetes se mantém descontrolado por seis meses no camundongo, a normalização da glicemia já não consegue reduzir o stress oxidativo e a produção de substâncias tóxicas.
Especula-se que o controle do diabetes numa fase muito tardia possa não oferecer os mesmos benefícios da correção precoce. Estes dados são congruentes com o estudo ACCORD, que gerou um imenso estardalhaço na imprensa ao mostrar aumento de mortalidade cardiovascular acompanhando um controle superintensivo e rápido em idosos com diabetes de longa duração.
E os antioxidantes? A velha vitamina C, bandeira de Linus Pauling, já foi estudada e se mostrou inócua. O mesmo vale para a vitamina E. Há muita pesquisa na área testando novos e específicos antioxidantes. Por enquanto, fica o recado para os diabéticos: não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.

Um comentário:

  1. Prezado Dr. Eduardo,

    Anos após esta publicação, existe alguma novidade com relação ao tema?

    Grato.
    Nilton Guimarães - Diabético Tipo 1 a menos de um ano.

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