sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Drogas para Epilepsia e Endocrinologia


A edição de outubro dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia traz um excepcional artigo publicado por Boguszewski e colaboradores, da Universidade Federal do Paraná. O tema são os efeitos endócrinos das drogas anti-epiléticas (DAEs).
Valproato, carbamazepina e gabapentina podem promover ganho de peso. O valproato conduz a níveis mais elevados de insulina e pode aumentar a resistência à ação da insulina e da leptina, aumentando o apetite. A maioria dos seus usuários ganha peso, contra 25% dos que tomam carbamazepina e 15% para a gabapentina.
Fenitoína, oxcarbazepina e lamotrigina parecem ser neutros em relação ao peso. A zonisamida e o topiramato estão associados à perda de peso em alguns casos. O emagrecimento médio com o topiramato chega a mais de 4kg após três meses, mas o seu uso para tratar obesidade acaba limitado devido aos efeitos colaterais. Até 30% dos pacientes desistem do tratamento por formigamentos, sonolência ou prejuízo transitório da memória.
Algumas DAEs (fenitoína, fenobarbital e carbamazepina) possuem ação sobre o fígado, estimulando o consumo da vitamina D3 circulante. A conseqüência é a redução do cálcio no sangue e aumento do PTH. O PTH, por sua vez, leva à reabsorção de cálcio dos ossos para manter os níveis sanguíneos. A longo prazo, esses “saques” de cálcio do esqueleto podem levar à fragilidade óssea. De fato, há estudos que mostram maior ocorrência de fraturas em usuários de DAEs, além de maiores níveis de substâncias que indicam reabsorção óssea.
A carbamazepina ainda age diretamente inibindo a formação óssea. Fenitoína e fenobarbital prejudicam a absorção de cálcio promovida pela vitamina D. Atividade física, exposição solar, interrupção do tabagismo e suplementação individualizada de cálcio e vitamina D devem fazer parte do cuidado do paciente com epilepsia.
Algumas DAEs podem estimular a degradação de hormônios da tireóide no fígado. Embora a maioria dos pacientes permaneça com função tiroidiana normal, o uso de DAEs pode precipitar hipotiroidismo naqueles com reserva tiroidiana reduzida. Aqueles que já usam hormônio da tireóide podem precisar de ajuste da dose. É preciso ficar claro que nem eu nem os autores temos o objetivo de “demonizar” os medicamentos para epilepsia. Estas foram um dos maiores avanços da Medicina e perimitiram um salto imenso na qualidade de vida daqueles com crises convulsivas. Pacientes e médicos, entretanto, precisam estar atentos aos possíveis riscos associados às DAEs.

5 comentários:

  1. gostei muito do blog, é difícil encontrar blogs que tragam informações relevantes sobre obesidade na internet, a maioria fala sobre o emagrecimento pessoal das meninas e as vezes esse é realizado de forma errônea. voltarei mais vezes

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  2. Gostei muito,solucionou minhas dúvidas inclusive minha desconfiança sob o ganho de peso pois sou usuário do. Ácido volproico 250mg 3x ao dia a 15 anos e minha adolescência e nos dias de hj tenho muita dificuldade em perde peso ou manter ��

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  3. Sou usuária de fenobarbital e queria saber se ele engorda ou emagrece oi eh neutro!

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  4. Eu gostaria de saber se o fato de eu usar concumitantemente fenobarbital/carbamazepina/gabapentina faz c que eu ganhe peso mais facilmente

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  5. Eu gostaria de saber se o fato de eu usar concumitantemente fenobarbital/carbamazepina/gabapentina faz c que eu ganhe peso mais facilmente

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