quinta-feira, 15 de outubro de 2009

De Olho na Tireóide

Quando surge o diagnóstico de qualquer doença da tireóide, muitas pessoas se assombram com a possibilidade de aparecerem lesões nos olhos. Não é tão incomum encontrar alguém com os olhos mais saltados (o termo médico é exoftalmia) e, após - indiscretamente - perguntar o motivo, descobrir que a culpada é a tireóide.
Para nossa sorte, as doenças mais comuns desta glândula (hipotiroidismo e nódulo) quase nunca se devem a lesões oculares. Estas se associam, classicamente, ao hipertiroidismo (excesso de hormônio de tireóide).
Qualquer que seja a origem (até mesmo comprimidos em demasia), uma dose exagerada de hormônio tiroidiano provoca certa retração das pálpebras, o que destaca os olhos. Em um tipo particular de hipertiroidismo, a doença de Graves, o sistema de defesa do paciente reage contra o próprio organismo. Na tireóide, provoca aumento e hiperatividade da glândula. Nas órbitas, promove aumento de músculos e demais tecidos que envolvem os olhos. O resultado pode ser, além da exoftalmia, inflamação da conjuntiva, lesões de córnea e (raramente) até comprometimento da visão.
Mesmo nos casos de doença de Graves, metade dos pacientes não apresenta qualquer mudança perceptível nos olhos. A oftalmopatia pode surgir antes, durante ou após as alterações hormonais. O hábito de fumar aumenta o risco das lesões oculares. Alguns estudos sugerem maior risco de surgimento ou piora da oftalmopatia quando o tratamento do hipertiroidismo envolve iodo radioativo.
O re-equilíbrio dos hormônios da tireóide ajuda na estabilização e melhora do quadro. Além de colírios e pomadas, o tratamento pode lançar mão de corticóides, radioterapia e, em casos extremos, até cirurgias descompressivas.

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