quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Esteróides Anabolizantes: História

ESTIMULANTES NA ANTIGUIDADE

A primeira descrição de estimuladores de performance atlética data de 2700 a.C. Está descrita na farmacopéia elencada pelo Imperador Chinês Shennong. Há relatos da Grécia Antiga quanto ao emprego de extratos de testículos, vegetais e fungos com a mesma finalidade.
Da Grécia Antiga vem um mito que ilustra o conhecimento já vigente na época sobre o treinamento com pesos e seus efeitos: o de Milo de Crotona. Conta-se a história do jovem que levantava um bezerro todos os dias. À medida que o bezerro engordava e o treino se tornava mais difícil, Milo ficava mais forte.

Embora seja alvo de alguma discussão, o termo doping se originaria do vocábulo "doop" (imergir). Remete ao hábito de combatentes bôeres molharem o pão em bebidas tidas como estimulantes antes das batalhas.

MÚSCULO: PADRÃO DE BELEZA

No fim do século XIX, fez sucesso na Europa um dos precursores do fisiculturismo: Eugene Sandow. Num misto de aberração com estátua romana, ganhava dinheiro em exibições quase circenses. Longe de ser um mero fantoche, Sandow inventou boa parte dos aparelhos que ainda usamos nas academias e é homenageado em corpo inteiro no troféu que até hoje premia o Mr. Olympia (campeão mundial de fisiculturismo).


OS ESTERÓIDES

Os esteróides foram descobertos em 1935, na Alemanha. A primeira publicação relatando seu uso no fisiculturismo veio 3 anos mais tarde (testosterona intramuscular). Seu uso se expandiu na década de 40, por atletas soviéticos e combatentes da II Guerra Mundial. Durante a Guerra Fria, os atletas do bloco socialista eram muitas vezes obrigados pelo Estado a receber esteróides na busca de uma melhor performance.
A grande popularização mundial dos anabolizantes veio na década de 70, junto com a ascensão do astro Arnold Schwarzenegger. O filme "Pumping Iron", de 1977, registra detalhadas sequências de treinamento e exibição do então hexacampeão consecutivo do Mr. Olympia (seria hepta em 1980) e até hoje mexe com a cabeça de muitos jovens.


CETICISMO E RESTRIÇÕES

Durante muitas décadas, a comunidade científica rejeitava o conceito de que esteróides anabolizantes aumentassem a força ou a massa muscular. Acreditava-se que não passava de mais uma superstição dos atletas ou de efeito psicológico por auto-sugestão.
Em 1976, todavia, essas substâncias são banidas do esporte (ou pelo menos das regras oficiais), constando na lista de doping da Olimpíada de Montreal. Só em 1991 os esteróides passaram a ser drogas de classe III (sob maior controle e restrição) nos Estados Unidos.
Múltiplos estudos da década de 90 mostraram os efeitos anabolizantes e de aumento de força promovidos pelos esteróides. A comunidade dos fisiculturistas reagiu com um previsível "eu já sabia" e, como consequência, mantém um certo ar de quem sabe mais do que os cientistas da área. Não é de todo incompreensível a postura deles.
OS ENDOCRINOLOGISTAS
Grande parte, talvez a maioria dos endocrinologistas, tem verdadeira fobia do emprego de anabolizantes. Restrições governamentais, receio de processos, aspectos culturais fazem com que o mais comum seja ouvir opiniões fundamentalistas e ignorantes. É triste ouvir em ambientes acadêmicos expressões do tipo "tomar bomba" ou "essas coisas broxam".
A sequência de textos que espero postar tem como objetivo fornecer informações ao indivíduo não-médico, de mente aberta, interessado no tema. Tentarei demonstrar os dados da forma mais imparcial possível.
De antemão esclareço que não tenho interesse algum em fazer apologia do uso destas medicações. Pratico musculação desde os 15 anos de idade e nunca usei esteróides. Minha experiência é toda na condição de médico (usando desde a época da residência para pacientes selecionados) e de colega de academia (onde já testemunhei usos e abusos).

2 comentários:

  1. VLW!! TAVA PRECISANDU DAH HISTORIA DOS ANABOLIZANTES PARA FAZER UM TRABALHO!!FOI DE GRANDE AJUDA!!! HEHEHEHEH

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  2. Boa noite!

    Excelente post, gostaria de saber qdo irá disponibilizar o restante

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