segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O alfa sobre o ômega


No último post foi dito que a maior parte do colesterol é sintetizada no nosso próprio organismo. Alguns ácidos graxos (componentes de gorduras), entretanto, precisam ser obtidos da dieta: os insaturados ácido linoléico (ômega-6) e ácido alfa-linolênico (ômega-3).

Fontes de ômega-6: óleos vegetais (girassol, milho, soja).

Fontes de ômega-3: linhaça, canola, soja.

Determinados peixes possuem outras formas de ômega-3 (anchova, bacalhau, truta, arenque, cavala, atum, sardinha). Não está incluído o salmão devido ao fato de a esmagadora maioria do salmão consumido no Brasil vir do Chile, onde é criado em gaiolas (a presença de ômega-3 depende do consumo de fitoplâncton de águas profundas).
Apesar de serem gorduras e, portanto, calóricas, as ômega-3 promovem redução dos triglicérides através de múltiplos efeitos no metabolismo. Numerosos estudos comprovam a redução de eventos cardiovasculares fatais mediante o consumo regular de peixes ricos nestas substâncias, apesar de discreta elevação do LDL.
É curiosa a história dos ômega-3. O interesse por essas substâncias surgiu a partir da observação, na década de 70, da baixa incidência de doença coronariana entre os esquimós. Verificou-se mais tarde que a explicação não tinha base genética, mas estava relacionada ao consumo diário de peixe daquela população.
Estudos mais recentes demonstraram redução na incidência de arritmias cardíacas em indivíduos que consumiram suplementos contendo ômega-3. A American Heart Association recomenda que todos os adultos consumam peixes ricos em ômega-3 duas vezes por semana; portadores de doença coronariana devem ingerir suplementos (1g/dia) de ômega-3.
Triste perceber que, comparado ao da pré-história, o atual consumo de ômega-3 (proporcional ao ômega-6) caiu 90%: consome-se 20 vezes mais ômega-6.

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